Evento reúne especialistas no IHGB para discutir a história da cartografia brasileira e apresenta ao público uma das mais importantes coleções cartográficas da América Latina
O Rio de Janeiro recebe, no dia 9 de junho de 2026, um encontro dedicado à memória territorial, diplomática e cultural do Brasil. O seminário “Mapoteca do Itamaraty: trajetória, coleções cartográficas e novas perspectivas” será realizado das 10h às 16h40, na sede do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o IHGB, na Glória, reunindo pesquisadores, diplomatas, bibliotecários e especialistas para discutir a história da cartografia brasileira, a formação de acervos cartográficos no país e os novos caminhos de preservação, catalogação e acesso a documentos raros.
O evento é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo Federal, Lei Rouanet, pelo Ministério das Relações Exteriores, pelo IHGB e pelo Instituto Pedra. A programação dá continuidade à série de seminários dedicada aos acervos do Itamaraty, dentro do projeto de requalificação do complexo histórico do Palácio Itamaraty no Rio de Janeiro.
A iniciativa também marca a apresentação pública de uma novidade aguardada por pesquisadores e interessados em história do Brasil: o novo Catálogo Geral da Mapoteca do Itamaraty, ferramenta que permite acesso aos dados de mais de 30 mil itens da coleção cartográfica. As formas de utilização online do catálogo serão demonstradas durante o seminário.
A Mapoteca Histórica do Itamaraty reúne um dos mais importantes conjuntos cartográficos da América Latina, com mapas, atlas, cartas geográficas, documentos raros e registros fundamentais para compreender a formação do território brasileiro, as relações diplomáticas e a construção histórica das fronteiras nacionais.
Acervo reúne raridades da cartografia brasileira e mundial
Entre os destaques do seminário está a apresentação de raridades do acervo da Mapoteca do Itamaraty. Uma das peças mais relevantes é o primeiro mapa conhecido a registrar o nome Brasil, datado de 1512. O documento tem importância histórica por representar um dos registros iniciais do território brasileiro nos mapas europeus do início do século XVI.
Outro destaque é o “Dell’Arcano del Mare”, de 1661, considerado o primeiro atlas marítimo do mundo a utilizar a Projeção de Mercator. A obra ocupa lugar importante na história da cartografia náutica e demonstra como os mapas estiveram diretamente ligados à navegação, à expansão marítima, ao comércio e à construção de conhecimento geográfico.
O seminário também apresentará cartografias históricas do Rio de Janeiro, com raridades como uma das primeiras representações conhecidas da Avenida Brasil e um mapa desenhado pelo próprio Barão do Rio Branco descrevendo o ataque francês de 1711. Esses documentos ampliam o olhar sobre a história urbana, militar, diplomática e territorial da cidade.
Ao reunir esse conjunto de peças, o evento aproxima o público de documentos que não são apenas objetos técnicos, mas registros de disputas, deslocamentos, projetos de poder, visões de mundo e formas de representar o território ao longo dos séculos.
Catálogo Geral amplia acesso a mais de 30 mil itens
Uma das principais novidades apresentadas no seminário será o Catálogo Geral da Mapoteca do Itamaraty. O material reúne dados de mais de 30 mil itens da coleção cartográfica, permitindo que pesquisadores, estudantes, professores e interessados tenham acesso a informações organizadas sobre o acervo.
O processo de catalogação representa um avanço importante para a preservação e a democratização do patrimônio documental. Mapas antigos, cartas náuticas, atlas, plantas urbanas e documentos gráficos exigem cuidados específicos de conservação, descrição técnica e organização de dados para que possam ser acessados e estudados.
Publicações sobre o catálogo indicam que a documentação cartográfica da Mapoteca Histórica do Itamaraty foi organizada em volumes temáticos, contemplando mapas do Brasil, atlas dos séculos XVI a XIX e outros conjuntos fundamentais para a compreensão da cartografia nacional e internacional. (Diplomatizzando)
A digitalização e a catalogação também ajudam a proteger os documentos físicos, reduzindo a necessidade de manuseio constante e ampliando o alcance do acervo para além dos limites da consulta presencial.
Seminário integra projeto de requalificação do Palácio Itamaraty
O evento faz parte do projeto de requalificação do complexo arquitetônico e dos acervos do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro. O Palácio Itamaraty, edifício histórico localizado no Centro do Rio, abriga acervos fundamentais para a memória diplomática brasileira.
O Instituto Pedra informa que o projeto cultural do Palácio Itamaraty tem como objetivo fornecer bases para a requalificação integral do complexo de edifícios e acervos, incluindo diagnósticos, projetos de restauração, modernização de instalações, projeto museológico, programa de educação patrimonial e plano diretor de conservação e gestão do local. (Instituto Pedra)
O BNDES também registra que o projeto prevê restauração de infraestrutura, construção de anexo para guarda de acervo, ações de formação e educação patrimonial, além de inventário, tratamento, acondicionamento e digitalização de milhares de documentos, livros, fotografias e mapas. A instituição informa ainda que a Biblioteca Histórica do Itamaraty reúne cerca de 140 mil itens, incluindo obras raras e coleções especiais. (Agência BNDES de Notícias)
Esse processo de requalificação reforça o papel do Palácio Itamaraty como espaço de preservação, pesquisa, educação e acesso público à história nacional.
BNDES, Petrobras e Vale apoiam preservação do acervo
O seminário conta com apoio do BNDES, patrocínio máster da Petrobras e patrocínio da Vale. A participação das instituições se estende às obras de restauração dos edifícios e acervos do complexo do Itamaraty.
De acordo com Marina Moreira, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, a preservação da memória brasileira está no centro da atuação do banco.
“A preservação e a valorização da memória e da cultura brasileira são prioridades do BNDES, e o projeto do Palácio do Itamaraty é um exemplo claro dessa atuação. Estamos apoiando desde a recuperação da infraestrutura até a organização e a digitalização de um acervo fundamental para a compreensão da nossa história”, afirma.
Segundo Milton Bittencourt Pimentel, gerente setorial de patrocínios culturais da Petrobras, a companhia investe R$ 10 milhões na requalificação do Complexo do Palácio Itamaraty, incluindo o restauro da mapoteca e a conservação de seu acervo.
“A Petrobras está investindo R$10 milhões na requalificação do Complexo do Palácio Itamaraty, incluindo o restauro da mapoteca e a conservação de seu acervo. Essa iniciativa reflete a atuação da companhia na área de patrocínios, com visão de longo prazo e sustentabilidade, possibilitando que a população brasileira se aproprie cada vez mais de sua história e cultura nacional”, destaca.
Cartografia ajuda a compreender a formação do Brasil
A cartografia ocupa papel central na compreensão da história brasileira. Mapas não são apenas representações geográficas. Eles também registram disputas territoriais, interesses econômicos, projetos políticos, rotas comerciais, limites administrativos, estratégias militares e formas de imaginar o país.
Ao longo dos séculos, diplomatas, engenheiros, cartógrafos, navegadores e instituições públicas reuniram mapas que ajudaram a orientar decisões sobre fronteiras, cidades, rios, portos e ocupação territorial. No caso do Itamaraty, esse acervo tem relação direta com a história da diplomacia brasileira e com a consolidação do território nacional.
Por isso, a Mapoteca do Itamaraty é um patrimônio de grande valor para pesquisadores de história, geografia, relações internacionais, arquitetura, urbanismo, patrimônio cultural e estudos brasileiros. O seminário permite aproximar esse universo do público, mostrando como mapas antigos seguem fundamentais para interpretar o presente.
Programação reúne especialistas de instituições brasileiras
A programação do seminário foi organizada para abordar diferentes dimensões da cartografia histórica e da preservação do acervo. A abertura contará com o embaixador João Luiz Pereira Pinto, chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, e Paulo Knauss de Mendonça, vice-presidente do IHGB.
Na sequência, o painel sobre o projeto do complexo arquitetônico e dos acervos do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro apresentará escopo, etapas e estratégias de execução da requalificação do Palácio Itamaraty. Participam o conselheiro Gustavo Pacheco, do MRE e ERERIO; Jurema Machado, do Instituto Pedra; Felipe Salzer e Silva, gerente de projetos culturais do BNDES; e Leyla Botafogo, coordenadora de patrocínios culturais da Petrobras.
A programação também terá palestra da professora doutora Iris Kantor, da USP e do IHGB, sobre diplomatas e a formação das mapotecas brasileiras no século XIX. À tarde, o professor doutor Paulo Marcio Leal de Menezes, da UFRJ, abordará a cartografia histórica do estado e da cidade do Rio de Janeiro.
O professor doutor André Reyes Novaes, da UERJ, apresentará a trajetória diplomática e a prática cartográfica de Duarte da Ponte Ribeiro na legitimação do uti possidetis. Já Maria Dulce de Faria, bibliotecária da Divisão de Cartografia da Fundação Biblioteca Nacional, falará sobre Isa Adonias e seu legado na Mapoteca do Itamaraty.
O encerramento da programação técnica será conduzido por Lucas Augusto Alves Figueiredo, bibliotecário responsável pela Mapoteca do Itamaraty, que apresentará um breve histórico da instituição e o projeto de catalogação, incluindo a criação do Catálogo Geral da Mapoteca e a cartografia do Rio de Janeiro.
Evento terá participação presencial e transmissão online
O seminário será realizado presencialmente no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, localizado na Avenida Augusto Severo, 08, na Glória, no Rio de Janeiro. A participação presencial está sujeita à lotação do espaço, com inscrições pelo formulário disponibilizado pela organização.
Para ampliar o alcance do debate, o evento também será transmitido ao vivo pelo canal do Instituto Pedra no YouTube. A transmissão permite que pesquisadores, estudantes e interessados de outras cidades acompanhem a programação e tenham acesso às discussões sobre cartografia, preservação e memória documental.
Essa transmissão reforça a proposta de democratização do acesso ao conhecimento. Ao mesmo tempo em que apresenta mapas raros e processos técnicos de preservação, o seminário amplia o diálogo com públicos que não necessariamente frequentam acervos especializados.
Instituto Pedra atua na preservação do patrimônio cultural
Fundado em 2013, o Instituto Pedra é uma instituição sem fins lucrativos dedicada a projetos de patrimônio cultural em diferentes estados brasileiros. Entre suas ações estão a recuperação do complexo arquitetônico e do acervo histórico do Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, o inventário do acervo de Frans Krajcberg, na Bahia, a criação do Museu do Azulejo, em São Luís, e a Escola de Ofícios Tradicionais de Mariana, em Minas Gerais.
A atuação do instituto se concentra na preservação, valorização e difusão de acervos e edifícios históricos. No caso do Palácio Itamaraty, o trabalho envolve diagnóstico, restauração, conservação, organização documental e educação patrimonial, contribuindo para reintegrar o complexo à vida cultural e acadêmica da cidade.
Preservação cultural também é desenvolvimento
O apoio à recuperação de acervos como o da Mapoteca do Itamaraty evidencia como patrimônio cultural também pode ser vetor de desenvolvimento. A preservação de documentos históricos fortalece a pesquisa, a educação, o turismo cultural, a memória nacional e a produção de conhecimento.
Desde 1997, o BNDES informa já ter destinado mais de R$ 1 bilhão a projetos de patrimônio cultural em todo o país, com foco na valorização da memória brasileira e no papel do patrimônio como vetor de desenvolvimento econômico e social. (Agência BNDES de Notícias)
A Petrobras, por sua vez, atua há mais de 40 anos com patrocínio cultural, apoiando projetos de diferentes segmentos e portes. No caso do Itamaraty, o investimento anunciado contribui para a requalificação de um conjunto documental e arquitetônico relevante para a história brasileira.
Mapas raros aproximam público da história nacional
O seminário “Mapoteca do Itamaraty: trajetória, coleções cartográficas e novas perspectivas” representa uma oportunidade de aproximação entre o público e uma das coleções mais valiosas da cartografia brasileira. Ao apresentar raridades como o primeiro mapa conhecido a registrar o nome Brasil e o “Dell’Arcano del Mare”, o evento mostra como a história do país pode ser lida também por meio de mapas.
A criação do Catálogo Geral da Mapoteca amplia essa possibilidade, permitindo que o acervo seja pesquisado de forma mais organizada e acessível. Em um tempo de digitalização, preservação e novas formas de acesso ao patrimônio, a iniciativa contribui para proteger documentos raros e torná-los disponíveis para novas gerações.
Mais do que um encontro acadêmico, o seminário reforça a importância de preservar os registros que ajudam a contar a formação territorial, diplomática e cultural do Brasil. Ao abrir esse debate ao público, o Itamaraty, o IHGB, o Instituto Pedra e as instituições apoiadoras fortalecem a relação entre memória, pesquisa e cidadania.
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Serviço
Seminário: Mapoteca do Itamaraty: trajetória, coleções cartográficas e novas perspectivas
Data: 9 de junho de 2026
Horário: 10h às 16h40
Credenciamento: 9h30
Local: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, IHGB
Endereço: Avenida Augusto Severo, 08, Glória, Rio de Janeiro, RJ
Transmissão online: canal do Instituto Pedra no YouTube
Inscrição: forms.gle/Bbo9RGnDxNXNeVjg8
Realização: Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, IHGB e Instituto Pedra
Apoio: BNDES
Patrocínio máster: Petrobras
Patrocínio: Vale
Projeto: realizado via Lei de Incentivo Federal, Lei Rouanet
Programação
9h30: Credenciamento e recepção dos participantes
10h: Abertura
Embaixador João Luiz Pereira Pinto, chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, ERERIO
Paulo Knauss de Mendonça, vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, IHGB
10h15: Projeto do complexo arquitetônico e dos acervos do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, Palácio Itamaraty: escopo, etapas e estratégias de execução
Conselheiro Gustavo Pacheco, MRE e ERERIO
Jurema Machado, Instituto Pedra
Felipe Salzer e Silva, gerente de projetos culturais do BNDES
Leyla Botafogo, coordenadora de patrocínios culturais da Petrobras
11h30: Os diplomatas e a formação das mapotecas brasileiras no século XIX
Professora doutora Iris Kantor, USP e IHGB
12h30 às 14h: Intervalo
14h: Uma visão sobre a cartografia histórica do estado e cidade do Rio de Janeiro
Professor doutor Paulo Marcio Leal de Menezes, UFRJ
14h40: Duarte da Ponte Ribeiro: trajetória diplomática e prática cartográfica na legitimação do uti possidetis
Professor doutor André Reyes Novaes, UERJ
15h20: Isa Adonias: trabalho e legado na Mapoteca do Itamaraty
Maria Dulce de Faria, bibliotecária da Divisão de Cartografia da Fundação Biblioteca Nacional, FBN
16h: Mapoteca do Itamaraty: breve histórico e projeto de catalogação, criação do Catálogo Geral da Mapoteca e Cartografia do Rio de Janeiro
Lucas Augusto Alves Figueiredo, bibliotecário responsável pela Mapoteca do Itamaraty
16h40: Encerramento

