Festival Internacional de Curitiba terá 16 sessões com Libras, audiodescrição e legenda descritiva, incluindo exibições gratuitas com acessibilidade diretamente na tela
A 15ª edição do Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, começa nesta quinta-feira, 4 de junho, reforçando seu papel como um dos principais eventos dedicados à sétima arte no Brasil. Além de reunir produções nacionais e internacionais em diferentes mostras, o festival amplia em 2026 seu compromisso com a acessibilidade, oferecendo sessões com Libras, audiodescrição e legenda descritiva.
Entre as 125 exibições previstas nesta edição, 16 contarão com recursos de acessibilidade, garantindo ao menos uma sessão acessível por dia. A principal novidade é a presença da acessibilidade diretamente na tela, com janela de Libras inserida na própria exibição, sem que o público precise utilizar dispositivos externos ou desviar o olhar para outro aparelho.
A iniciativa marca um avanço importante para a inclusão no cinema. Ao levar Libras, audiodescrição e legenda descritiva para a experiência coletiva da sala, o festival amplia o acesso de pessoas surdas, ensurdecidas, com deficiência visual e outros públicos que dependem de recursos assistivos para acompanhar obras audiovisuais.
“A partir do processo de troca e escuta com a comunidade de pessoas com deficiência compreendemos a importância de garantir que a acessibilidade estivesse presente na tela de cinema e não a partir de dispositivos externos, garantindo que mais pessoas pudessem ter acesso aos filmes e ter uma experiência cinematográfica mais completa”, comenta Gabriel Borges, co-diretor artístico do Olhar de Cinema.
Acessibilidade na tela amplia experiência cinematográfica
A acessibilidade no audiovisual costuma envolver recursos como janela de Libras, audiodescrição e legenda descritiva. A janela de Libras traduz informações sonoras e diálogos para a Língua Brasileira de Sinais. A legenda descritiva informa diálogos e elementos sonoros relevantes, como músicas, ruídos e efeitos. Já a audiodescrição descreve elementos visuais importantes da cena, favorecendo o acesso de pessoas com deficiência visual.
Ao inserir esses recursos diretamente na tela, o Olhar de Cinema busca oferecer uma experiência mais integrada. Em vez de depender exclusivamente de aplicativos ou equipamentos individuais, o público acompanha o filme em uma sessão pensada para ser acessível desde sua estrutura de exibição.
A abertura do festival, com o filme “Yellow Cake”, terá recursos de acessibilidade disponíveis via aplicativo MLoad, de acordo com a página oficial da obra na programação. Já as demais sessões destacadas pelo festival apostam na acessibilidade na tela, especialmente na Cinemateca de Curitiba. (Olhar de Cinema)
Essa escolha tem impacto direto na forma como o público vive o cinema. A presença da janela de Libras na tela permite que espectadores surdos acompanhem o filme sem alternar constantemente o olhar entre a obra e outro dispositivo, preservando ritmo, atenção e imersão.
Festival terá sessões gratuitas com recursos acessíveis
Entre as exibições com acessibilidade na tela, estão sete dos oito filmes da Mostra Competitiva Brasileira, um título da mostra Exibições Especiais e algumas sessões do programa de curtas. Todas as sessões com acessibilidade na tela ocorrerão na Cinemateca de Curitiba, com exceção de uma exibição da Mostra Pequenos Olhares, que acontece no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer, no sábado, 6 de junho, às 16h.
As sessões são gratuitas e abertas ao público, com distribuição de ingressos 30 minutos antes de cada exibição. O festival também contará com intérpretes de Libras e uma profissional especializada no atendimento a pessoas com deficiência visual, que farão o acompanhamento e a orientação do público.
A medida reforça uma dimensão essencial da acessibilidade cultural: não basta incluir recursos técnicos, é preciso garantir acolhimento, orientação e condições reais de participação. Ao unir sessões gratuitas, profissionais de apoio e acessibilidade na tela, o Olhar de Cinema amplia o alcance social da programação.
“Yellow Cake” abre o festival com acessibilidade via aplicativo
O filme de abertura da 15ª edição do Olhar de Cinema é “Yellow Cake”, dirigido por Tiago Melo. A sessão acontece em 4 de junho, às 19h30, na Ópera de Arame, com recursos de Libras, audiodescrição e legendagem descritiva disponibilizados via aplicativo MLoad.
A obra retrata as consequências de um experimento conduzido por cientistas estrangeiros que tentam erradicar o mosquito Aedes aegypti com o uso de urânio. Quando o experimento falha, uma pesquisadora brasileira precisa, com a ajuda de garimpeiros locais, conter o desastre antes que seja tarde demais.
Estrelado por Rejane Faria e Tânia Maria, o longa será exibido em uma tela especial de mais de 400 polegadas, montada especialmente para a sessão de abertura, com público estimado de cerca de 1.500 pessoas. A página oficial do filme no site do festival confirma a abertura da entrada às 18h, a sessão às 19h30 e a oferta de recursos de acessibilidade por aplicativo. (Olhar de Cinema)
“A Holandesinha” celebra inclusão e cinema como pertencimento
Entre os títulos com sessões acessíveis está “A Holandesinha”, dirigido por João Gabriel Kowalski e Luisa Godoi. O documentário acompanha Luiza Godoi Acosta, uma jovem com Síndrome de Down que sonha em ser cineasta e realiza seu primeiro curta-metragem, “Lágrimas de um Pierrot”.
A produção percorre as etapas do processo criativo, revelando a visão de mundo da protagonista, os desafios enfrentados e as superações diante do capacitismo. Produzido no interior do Paraná, o filme celebra a inclusão e afirma o cinema como espaço de possibilidades, pertencimento e perseverança.
O longa terá sessões com Libras no Cine Passeio e uma sessão gratuita com acessibilidade na tela, audiodescrição, Libras e legenda descritiva no dia 8 de junho, às 14h, na Cinemateca de Curitiba.
Curtas acessíveis ocupam a Mostra Pequenos Olhares
A Mostra Pequenos Olhares também terá sessão gratuita com acessibilidade na tela no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer, no dia 6 de junho, às 16h. A programação inclui títulos voltados ao público infantil e juvenil, ampliando o acesso de crianças e famílias a filmes brasileiros com recursos inclusivos.
Entre os curtas exibidos estão “A Menina que Queria Ser Pedra”, de Jackson Abacatu; “Aterro Zeitgeist”, de Kapel Furman; “Ecos do Amanhã”, de Antônio Eder; e “Kika Não Foi Convidada”, de Juraci Júnior.
As obras abordam temas como imaginação, meio ambiente, empatia, acolhimento e consequências das ações humanas. Ao oferecer acessibilidade nesse programa, o festival também reforça a importância de formar novos públicos para o cinema desde a infância, incluindo crianças com deficiência e suas famílias.
Mostra Competitiva Brasileira terá ampla presença acessível
A Mostra Competitiva Brasileira é uma das principais vitrines do Olhar de Cinema e, em 2026, terá forte presença de sessões com acessibilidade na tela. Entre os títulos contemplados estão “Futuro Futuro”, “Papaya”, “Telúrica, a Íntima Utopia”, “Olhe Para Mim”, “A Noite e os Dias de Miguel Burnier”, “Disciplina”, “Marimbã Está Acontecendo”, “Pirexia”, “Quase Inverno”, “Flora & Airto: O Som Revolucionário” e “Segunda Pele”.
As exibições gratuitas na Cinemateca de Curitiba colocam filmes de diferentes linguagens e temas em contato com um público mais amplo. A programação inclui ficção científica, documentário musical, cinema experimental, dramas sociais, narrativas sobre identidade, corpos dissidentes, memória, saúde mental, crise ambiental e relações familiares.
Essa diversidade reforça o papel do festival como espaço de circulação de obras brasileiras contemporâneas. Ao garantir acessibilidade para boa parte da mostra competitiva nacional, o Olhar de Cinema também amplia a participação de pessoas com deficiência nos debates sobre a produção audiovisual brasileira atual.
Confira sessões com acessibilidade na tela
A programação acessível inclui sessões gratuitas na Cinemateca de Curitiba e no Auditório Poty Lazzarotto. Entre os destaques estão:
5 de junho, às 13h45, Cinemateca de Curitiba
“Futuro Futuro”, de Davi Pretto
5 de junho, às 15h45, Cinemateca de Curitiba
“Papaya”, de Priscilla Kellen
6 de junho, às 13h45, Cinemateca de Curitiba
“Telúrica, a Íntima Utopia”, de Mariana Lacerda
6 de junho, às 16h, Auditório Poty Lazzarotto, MON
Sessão da Mostra Pequenos Olhares com “A Menina que Queria Ser Pedra”, “Aterro Zeitgeist”, “Ecos do Amanhã” e “Kika Não Foi Convidada”
7 de junho, às 14h30, Cinemateca de Curitiba
Sessão com “Enluarada”, “Estrelas Terrestres” e “Tornar-se Ciborgue no Interior”
7 de junho, às 20h15, Cinemateca de Curitiba
“Olhe Para Mim”, de Rafhael Barbosa
8 de junho, às 14h, Cinemateca de Curitiba
“A Holandesinha”, de João Gabriel Kowalski e Luisa Godoi
9 de junho, às 14h15, Cinemateca de Curitiba
“A Noite e os Dias de Miguel Burnier”, de João Dumans
10 de junho, às 13h45, Cinemateca de Curitiba
Sessão com “Disciplina”, “Marimbã Está Acontecendo” e “Pirexia”
12 de junho, às 13h30, Cinemateca de Curitiba
“Quase Inverno”, de Rodrigo Grota
13 de junho, às 19h30, Cinemateca de Curitiba
“Flora & Airto: O Som Revolucionário”, de Jom Tob Azulay
Inclusão fortalece o papel social dos festivais
A ampliação dos recursos de acessibilidade no Olhar de Cinema reforça uma discussão central para o audiovisual brasileiro: o direito de acesso à cultura. Festivais de cinema são espaços de formação de público, circulação de obras, encontro entre realizadores e debate artístico. Quando esses espaços se tornam mais acessíveis, ampliam também quem pode participar da experiência cultural.
A presença de acessibilidade na tela, especialmente em sessões gratuitas, contribui para democratizar o acesso a obras que muitas vezes circulam fora do circuito comercial. Para pessoas com deficiência, isso significa poder acompanhar filmes, participar de debates e viver o cinema como experiência coletiva, não apenas como consumo individual adaptado.
O avanço também tem valor simbólico. Ao escutar a comunidade de pessoas com deficiência e adaptar a forma de exibição, o festival reconhece que acessibilidade não deve ser tratada como complemento, mas como parte da própria experiência cinematográfica.
Olhar de Cinema reúne mais de 80 filmes em Curitiba
A 15ª edição do Olhar de Cinema acontece de 4 a 13 de junho, com sessões em espaços culturais importantes de Curitiba, como o Museu Oscar Niemeyer, no Auditório Poty Lazzarotto, a Ópera de Arame, o Cine Passeio, a Cinemateca de Curitiba e o Teatro da Vila.
Com mais de 80 filmes entre curtas e longas-metragens, a programação está dividida em mostras como Competitiva Brasileira, Competitiva Internacional, Novos Olhares, Mirada Paranaense Sanepar, Exibições Especiais, Olhares Clássicos Cine Passeio, Olhar Retrospectivo, Pequenos Olhares, Filme de Abertura e Encerramento. Publicações culturais sobre a edição de 2026 também destacam a realização do festival entre 4 e 13 de junho, com sessões nesses espaços e programação com mais de 70 filmes. (Estação Cult)
Os ingressos estão disponíveis com valores que vão de R$ 8, meia-entrada, a R$ 16, pelo site oficial do evento. O festival ainda contará com sessões gratuitas no Teatro da Vila, no CIC e em algumas sessões no Museu Oscar Niemeyer.
Filme de encerramento terá estreia mundial
O longa escolhido para encerrar a 15ª edição do Olhar de Cinema é “Salvação”, dirigido por Emin Alper. A produção reúne Turquia, França, Países Baixos, Grécia e Suécia, e terá estreia mundial no festival.
A narrativa se passa em uma aldeia remota no alto das montanhas turcas, onde o retorno de um clã exilado reacende uma antiga disputa de terras. Ressentimentos adormecidos voltam à superfície, enquanto Mesut, irmão do líder local, passa a ter visões perturbadoras que acredita serem avisos divinos.
Com tensões crescentes envolvendo religião, poder e comunidade, o filme encerra o festival com uma narrativa marcada por conflitos morais, disputas territoriais e atmosferas de tragédia.
Festival reforça diversidade, acesso e cinema independente
Com produções brasileiras e internacionais, ações de acessibilidade e programação distribuída em diferentes espaços de Curitiba, o 15º Olhar de Cinema reafirma sua importância no calendário audiovisual brasileiro. A edição de 2026 amplia a presença de recursos inclusivos e fortalece o compromisso do festival com diferentes formas de ver, ouvir, interpretar e viver o cinema.
A janela de Libras diretamente na tela, a audiodescrição, a legenda descritiva, os profissionais de apoio e as sessões gratuitas representam um passo importante para aproximar mais públicos da experiência cinematográfica. Em um festival dedicado ao cinema independente e à diversidade de olhares, tornar a sala mais acessível é também ampliar quem pode fazer parte dessa conversa.
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Serviço
15º Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba
Data: 4 a 13 de junho
Locais: MON, Museu Oscar Niemeyer, Auditório Poty Lazzarotto; Ópera de Arame; Cine Passeio; Cinemateca de Curitiba; Teatro da Vila
Programação: mais de 80 filmes entre curtas e longas-metragens
Sessões com acessibilidade: 16 exibições com recursos de Libras, audiodescrição e legenda descritiva
Sessões com acessibilidade na tela: gratuitas, com distribuição de ingressos 30 minutos antes de cada exibição
Site oficial: www.olhardecinema.com.br
Redes sociais: Instagram: @olhardecinema | Facebook: Olhar de Cinema | TikTok: @olhardecinema | X/Twitter: @Olhardecinema_
Produção: Grafo Audiovisual
Patrocínio master: Terminal de Contêineres de Paranaguá
Patrocínio: Itaú, Peróxidos do Brasil, Mili, Fomento Paraná e Sanepar
Apoio: Teatro da Vila, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, Projeto Paradiso e Uninter
Apoio cultural: MON
Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal

