Festival Internacional de Curitiba acontece de 4 a 13 de junho e reúne produções brasileiras e internacionais que destacam diferentes perspectivas autorais no cinema contemporâneo
A 15ª edição do Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, chega em 2026 reforçando o protagonismo de diferentes vozes no audiovisual e ampliando o espaço para narrativas conduzidas por mulheres. Entre os dias 4 e 13 de junho, a capital paranaense recebe uma programação com mais de 70 produções, entre longas e curtas-metragens, distribuídas em mostras competitivas, retrospectivas, sessões especiais, atividades formativas e encontros voltados ao mercado cinematográfico.
Reconhecido como um dos principais festivais de cinema independente do Brasil, o Olhar de Cinema se consolidou como uma vitrine para obras que circulam fora dos caminhos mais comerciais da indústria. Em sua 15ª edição, o evento volta a ocupar espaços culturais importantes de Curitiba, como o MON, Museu Oscar Niemeyer, a Ópera de Arame, o Cine Passeio, a Cinemateca de Curitiba e o Teatro da Vila.
Dentro da programação deste ano, chamam a atenção os filmes dirigidos por mulheres, que atravessam diferentes gêneros, países, formatos e linguagens. São obras que transitam pela animação, pelo documentário, pelo cinema experimental, pela ficção científica, pelo drama familiar e por narrativas híbridas que tensionam memória, corpo, identidade, território e afetos.
Um dos principais destaques é o longa brasileiro “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, dirigido por Janaína Marques. Selecionado para a Mostra Competitiva Brasileira de Longas, o filme marca a estreia da diretora em longas-metragens e propõe uma investigação delicada sobre as memórias reais e inventadas na relação entre mãe e filha.
Outro título que merece atenção é “Bouchra”, animação dirigida por Orian Barki e Meriem Bennani. Presente na Mostra Competitiva Internacional de Longas, a obra acompanha uma coiote marroquina que vive em Nova York e documenta, à distância, sua relação com a mãe, que mora em Casablanca.
Direção feminina ganha destaque na programação do Olhar de Cinema
A presença de filmes dirigidos por mulheres no Olhar de Cinema 2026 reforça uma discussão cada vez mais importante dentro do audiovisual: a necessidade de ampliar o espaço para diferentes perspectivas autorais, especialmente em festivais que têm papel decisivo na formação de público, na circulação de obras e na valorização de novas linguagens.
A curadoria desta edição reúne produções de diferentes países e épocas, criando um panorama diverso sobre a criação feminina no cinema. A lista inclui desde um clássico da animação mundial, lançado em 1926, até filmes recentes produzidos no Brasil, na Europa, na África e nos Estados Unidos.
Entre os títulos selecionados, há obras que trabalham com memória familiar, registros encontrados, experimentações visuais, debates sobre o corpo feminino, relações maternas, deslocamentos culturais e mundos imaginados. Essa variedade amplia o alcance da programação e aproxima o público de experiências cinematográficas que não se limitam a uma única estética ou temática.
A seguir, confira seis longas-metragens com direção feminina para assistir na 15ª edição do Olhar de Cinema.
“As Aventuras do Príncipe Achmed”
Considerado um marco histórico da animação, “As Aventuras do Príncipe Achmed” é dirigido por Lotte Reiniger e foi lançado na Alemanha em 1926. A obra, baseada nos contos de “As Mil e Uma Noites”, utiliza a técnica de animação de silhuetas para narrar uma jornada fantástica marcada por magia, aventura e romance.
Na trama, o Príncipe Achmed percorre terras distantes, faz amizade com uma bruxa, encontra Aladin, enfrenta demônios e se apaixona por uma princesa. Com 67 minutos de duração, o filme permanece como uma referência fundamental para a história do cinema de animação e ganha nova força ao ser exibido em uma programação contemporânea.
Sessões:
7 de junho, às 20h45, no Cine Passeio, Sala Luz
11 de junho, às 17h15, no Cine Passeio, Sala Ritz
“Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”
Dirigido por Janaína Marques, “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” é um dos destaques brasileiros da edição. O longa integra a Mostra Competitiva Brasileira de Longas e apresenta uma narrativa centrada nas memórias afetivas, nas lacunas familiares e na construção subjetiva da lembrança.
Na sinopse, Rosa está cercada pelo zumbido hipnótico de uma máquina de ressonância magnética quando é orientada a pensar em um momento feliz de sua vida. É dentro dessa odisseia subconsciente que ela reencontra a mãe, Dalva, com quem passa a inventar memórias inexistentes.
Com 92 minutos de duração, a produção brasileira de 2026 aposta em uma abordagem sensível sobre maternidade, ausência, afeto e imaginação. A obra também chama atenção por marcar a estreia de Janaína Marques na direção de longas.
Sessões:
12 de junho, às 21h, no MON, Auditório Poty Lazzarotto
13 de junho, às 14h50, no Cine Passeio, Sala Ritz
“Como Todo Mortal”
“Como Todo Mortal”, dirigido por Maria Molina Peiro, é uma coprodução entre Países Baixos e Espanha. O longa de 93 minutos parte de uma premissa de ficção científica para investigar paisagens, territórios e formas de existência em meio a ambientes extremos.
A narrativa acompanha um robô que, em um planeta distante, procura sinais de vida. A anos-luz dali, uma das minas mais antigas do mundo revela, sob toneladas de resíduos de mineração, um ecossistema marcado por exploração, sobrevivência e ruínas ambientais. A obra constrói uma ponte visual e simbólica entre a Andaluzia e Marte, criando uma experiência que mistura investigação geológica, ficção especulativa e reflexão sobre o futuro do planeta.
O filme se destaca por abordar temas urgentes da contemporaneidade, como crise ambiental, mineração, tecnologia e permanência da vida em contextos de desgaste.
Sessões:
8 de junho, às 18h, na Cinemateca de Curitiba
9 de junho, às 13h20, no Cine Passeio, Sala Ritz
“Bouchra”
Dirigido por Orian Barki e Meriem Bennani, “Bouchra” integra a Mostra Competitiva Internacional de Longas. A animação, produzida por Itália, Marrocos e Estados Unidos, acompanha uma personagem singular: uma coiote marroquina de 35 anos que vive em Nova York e documenta sua relação à distância com a mãe, que mora em Casablanca.
Ao longo do filme, mãe e filha exploram temas como amor, dor, segredos familiares, distância e pertencimento por meio de ligações e conversas íntimas. A escolha da animação permite que a obra transite entre humor, fantasia e vulnerabilidade emocional, criando uma narrativa que fala sobre migração, identidade e laços afetivos.
Com 83 minutos de duração, “Bouchra” aparece como uma das produções internacionais mais curiosas da programação, especialmente por sua linguagem visual e pela forma como transforma a relação familiar em matéria cinematográfica.
Sessões:
7 de junho, às 18h15, no MON, Auditório Poty Lazzarotto
8 de junho, às 15h10, no Cine Passeio, Sala Luz
“Gato na Cabeça”
“Gato na Cabeça”, dirigido por Laila Pakalnina, é uma produção da Letônia lançada em 2025. O longa parte de um achado inusitado: uma sacola com 36 rolos de negativos fotográficos expostos entre os anos 1960 e 1980, encontrada junto a uma lixeira.
A partir desse material, a obra constrói uma investigação imaginativa sobre autoria, memória e imagens anônimas. O fotógrafo desconhecido recebe o nome de Anton, filho da Tia Emma, e seus registros passam a ser observados como fragmentos de vidas possíveis.
O filme dialoga com imprecisões técnicas, elementos aleatórios, transições, exposições acidentais e duplas imagens para criar uma experiência marcada pela especulação. Ao observar fotos que não pertencem aos realizadores, a obra pergunta como seria imaginar a própria vida a partir das imagens de outra pessoa.
Sessões:
5 de junho, às 18h, na Cinemateca de Curitiba
6 de junho, às 17h45, no Cine Passeio, Sala Luz
“Segunda Pele”
Dirigido por Dea Ferraz, “Segunda Pele” é um longa brasileiro de 2025 com 60 minutos de duração. A obra acompanha seis artistas habitando seus corpos e propõe uma jornada poética sobre existência, identidade, marcas e liberdade.
Com abordagem experimental, o filme apresenta mulheres que atravessam a própria pele para falar de suas trajetórias. A narrativa parte do corpo marcado em direção ao corpo fluido, tentacular e livre, criando uma experiência sensorial e política.
A produção se insere em uma tradição do cinema brasileiro contemporâneo que aproxima performance, documentário e experimentação visual. Ao colocar o corpo no centro da cena, “Segunda Pele” amplia discussões sobre presença, memória, dor, criação e autonomia.
Sessões:
9 de junho, às 18h15, na Cinemateca de Curitiba
10 de junho, às 14h45, no Cine Passeio, Sala Ritz
11 de junho, às 13h30, na Cinemateca de Curitiba, em sessão com acessibilidade na tela, Libras e legenda descritiva
Outros filmes dirigidos por mulheres também estão na programação
Além dos seis destaques, a 15ª edição do Olhar de Cinema conta com outros títulos dirigidos por mulheres. Entre eles estão “Barbara Para Sempre”, de Brydie O’Connor; “Corações Desertos”, de Donna Deitch; “Anistia 79”, de Anita Leandro; “Telúrica, a Íntima Utopia”, de Mariana Lacerda; “Passado Futuro Contínuo”, de Firouzeh Khosrovani e Morteza Ahmadvand; e “Se Pombos Virassem Ouro”, de Pepa Lubojacki.
A presença dessas obras reforça a amplitude da programação e oferece ao público a oportunidade de conhecer produções que atravessam diferentes épocas, países e formas de criação. A seleção também contribui para o fortalecimento de um debate essencial sobre a circulação de filmes dirigidos por mulheres em festivais, salas de cinema e espaços culturais.
Festival ocupa espaços culturais de Curitiba
As sessões do Olhar de Cinema 2026 serão realizadas em espaços simbólicos da capital paranaense. Entre os locais confirmados estão o MON, Museu Oscar Niemeyer, a Ópera de Arame, o Cine Passeio, a Cinemateca de Curitiba e o Teatro da Vila.
A ocupação desses equipamentos culturais amplia a relação entre cinema, cidade e público. Além das exibições, o festival também promove encontros, debates e atividades voltadas à formação, consolidando Curitiba como um dos centros relevantes do circuito audiovisual brasileiro durante o mês de junho.
Os ingressos estão disponíveis pelo site oficial do festival, com valores entre R$ 8 e R$ 18. A programação também conta com sessões gratuitas no Teatro da Vila, no CIC e em algumas atividades realizadas no MON.
Olhar de Cinema reforça circulação do cinema independente
Criado em 2012, o Olhar de Cinema se consolidou como um festival voltado à difusão de produções independentes, nacionais e internacionais. Ao longo dos anos, o evento se tornou uma plataforma importante para cineastas, produtores, críticos, pesquisadores e espectadores interessados em obras que desafiam formatos tradicionais e ampliam os modos de ver o mundo pelo cinema.
Em 2026, ao destacar filmes dirigidos por mulheres em diferentes mostras, o festival reafirma seu compromisso com a diversidade de narrativas e com a valorização de perspectivas autorais. Para o público, a programação representa uma oportunidade de acessar obras raras, estreias, clássicos restaurados e produções contemporâneas que dificilmente chegam ao circuito comercial.
A 15ª edição do Olhar de Cinema acontece de 4 a 13 de junho, em Curitiba, com programação completa disponível no site oficial do evento.
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Serviço
15º Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba
Data: 4 a 13 de junho
Site oficial: www.olhardecinema.com.br
Redes sociais: Instagram: @olhardecinema | TikTok: @olhardecinema | X/Twitter: @Olhardecinema_
Produção: Grafo Audiovisual
Patrocínio master: Terminal de Contêineres de Paranaguá
Patrocínio: Itaú, Peróxidos do Brasil, Mili, Fomento Paraná e Sanepar
Apoio: Teatro da Vila, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, Projeto Paradiso e Uninter
Apoio cultural: MON
Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal

