Novo volume da coleção editorial reúne textos, imagens e recursos acessíveis para investigar as múltiplas relações entre céu e Terra
O Instituto Tomie Ohtake lança o quinto volume da coleção Caderno-ensaio com uma proposta que mira o alto, mas fala diretamente sobre a forma como diferentes culturas, saberes e experiências compreendem a vida na Terra. Intitulado “Caderno-ensaio 5: Céu”, o novo livro reúne textos, imagens, obras de arte, registros científicos e recursos acessíveis em torno de um tema vasto, simbólico e profundamente presente no imaginário humano.
Apresentado pelo Ministério da Cultura, pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Cidade de São Paulo, pelo Nubank e pelo Instituto Tomie Ohtake, o lançamento chega em 2026, ano em que a instituição celebra 25 anos de atividades. Nesse contexto, o céu aparece também como metáfora para novos horizontes, continuidade institucional e expansão de projetos dedicados à arte, à cultura e à educação.
A publicação integra a coleção editorial iniciada em 2024, voltada a temas que atravessam as exposições e pesquisas desenvolvidas pelo Instituto. Depois dos volumes “Barro”, “Palavra”, “Povo” e “Mangue”, o novo caderno amplia a proposta da série ao investigar o céu como espaço de ciência, espiritualidade, cosmologia, memória, observação, imaginação e disputa simbólica.
Sem a intenção de esgotar o tema, “Céu” propõe percursos poéticos, críticos e sensoriais. A obra aproxima cosmologias indígenas e afro-brasileiras, astronomia, astrologia, mudanças climáticas, etnometeorologia, partejar tradicional, poluição luminosa, colonialismo, espiritualidade e práticas culturais que revelam formas diversas de relação com o firmamento.
Um livro para olhar o céu a partir de muitos saberes
O céu sempre foi objeto de observação, encantamento e interpretação. Ele orientou deslocamentos, rituais, calendários agrícolas, narrativas mitológicas, pesquisas científicas, práticas religiosas e obras de arte. Ao escolher esse tema, o Instituto Tomie Ohtake abre espaço para pensar como diferentes sociedades constroem sentidos a partir daquilo que está acima, mas também profundamente ligado ao cotidiano terrestre.
O “Caderno-ensaio 5: Céu” não trata o firmamento apenas como paisagem distante. O céu surge como território de leitura do mundo. Ele aparece nas estrelas observadas por cientistas, nas histórias transmitidas por povos originários, nas práticas espirituais, nas mudanças climáticas, nas tradições populares e nas imagens produzidas por telescópios, satélites e artistas.
Essa multiplicidade é um dos pontos fortes da publicação. O livro reúne contribuições de pesquisadores, artistas, escritores, educadores e lideranças indígenas, compondo uma leitura polifônica sobre o tema. Entre os nomes presentes estão Alan Alves-Brito, Angélica Ferroni, Cinésia dos Santos Rosa, Davi Kopenawa Yanomami e Bruce Albert, Denilson Baniwa, Gabriela Moulin, Gustavo Caboco, Juliana Floriano Toledo Watson, Mabe Bethônico, Marcelo Gleiser, Miriam Fátima Esposito, Nurit Bensusan, Paulo Leminski, Reginaldo Prandi, Renzo Taddei e Tânia Dominici.
A presença de vozes tão distintas reforça a intenção de aproximar diferentes campos de conhecimento. O céu pode ser lido pela ciência, pela arte, pela ancestralidade, pela literatura, pela espiritualidade e pela experiência cotidiana. Ao reunir essas perspectivas, o livro convida o leitor a abandonar uma visão única e a reconhecer a complexidade das relações entre céu e Terra.
Tomie Ohtake atravessa a publicação como eixo visual
As pinturas de Tomie Ohtake realizadas a partir da década de 1990 atravessam o volume como eixo visual. Nesse período, a artista passou a utilizar tinta acrílica diluída em água, criando empoçamentos, camadas e superfícies que evocam imagens do cosmos.
Essa escolha conecta a publicação à trajetória da artista que dá nome ao Instituto. As obras de Tomie não ilustram o céu de forma literal. Elas sugerem atmosferas, profundidades, movimentos e campos visuais que podem ser percebidos como aproximações poéticas do universo. Há nelas uma dimensão de contemplação, silêncio e expansão.
Ao inserir essas pinturas no livro, a edição cria um diálogo entre gesto artístico e imaginação cósmica. A materialidade da tinta, os efeitos da água e as camadas de cor aproximam a experiência pictórica de imagens que lembram nebulosas, superfícies celestes e espaços em suspensão.
Em diálogo com essas obras, a publicação também reúne trabalhos de outros artistas, imagens de arquivo e fotografias feitas por satélites e telescópios espaciais. O resultado é uma composição visual que articula arte, ciência e documentação, ampliando a experiência de leitura.
Cosmologias, ciência e crise climática em diálogo
Entre os temas abordados no “Caderno-ensaio 5: Céu” estão cosmologias afro-brasileiras e indígenas, mudanças climáticas, astronomia, astrologia, etnometeorologia, colonialismo e espiritualidade. Essa diversidade permite que o céu seja entendido não apenas como fenômeno natural, mas como campo de disputa histórica, cultural e política.
As cosmologias indígenas, por exemplo, propõem modos de relação com o céu que não se separam da floresta, dos rios, dos animais, dos ciclos da vida e da organização comunitária. O firmamento é parte de uma rede de sentidos, e não um objeto isolado de observação.
A ciência, por sua vez, oferece instrumentos para compreender astros, luz, tempo, matéria e fenômenos atmosféricos. Ao lado desses saberes, a etnometeorologia e as práticas tradicionais lembram que muitas comunidades interpretam sinais do céu para orientar o plantio, a pesca, os deslocamentos e os cuidados cotidianos.
A presença das mudanças climáticas no volume também amplia a urgência da reflexão. O céu que se observa hoje não é apenas lugar de beleza. Ele também revela transformações ambientais, alterações nos regimes de chuva, eventos extremos e impactos causados pela ação humana. A poluição luminosa, outro tema presente, mostra como até a experiência de ver estrelas vem sendo modificada pelas cidades.
Acessibilidade amplia formas de leitura e fruição
Um dos diferenciais do “Caderno-ensaio 5: Céu” é o conjunto de recursos de acessibilidade incorporado à publicação. O livro conta com encarte em braile, versão digital acessível, locução integral dos conteúdos, audiodescrição das imagens, paisagem sonora criada especialmente para o volume e vídeo em Libras com legendas e narração em português.
Esses recursos foram pensados para ampliar o acesso e enriquecer a experiência de leitura. A proposta não é tratar a acessibilidade apenas como adaptação técnica, mas como possibilidade de expandir modos de encontro com o livro.
Ao incorporar recursos multissensoriais, a publicação convida diferentes leitores a se relacionarem com o conteúdo por múltiplas vias. Pessoas com e sem deficiência podem acessar textos, imagens, sons, descrições e traduções em uma experiência compartilhada.
Essa escolha reforça uma dimensão importante da coleção Caderno-ensaio. O livro não se limita ao objeto impresso. Ele se desdobra em formatos que ampliam a circulação do conhecimento e permitem que a experiência editorial seja vivida por públicos diversos.
Coleção Caderno-ensaio une arte, cultura e educação
Iniciada em 2024, a coleção Caderno-ensaio propõe uma jornada por temas que atravessam as exposições e pesquisas do Instituto Tomie Ohtake. A série aproxima narrativas textuais e imagéticas vindas dos campos das artes, da cultura e da educação.
O nome da coleção reúne duas ideias importantes. “Caderno” sugere estudo, anotação, formação, percurso e uso cotidiano. “Ensaio” aponta para investigação, experimentação, pensamento em movimento e abertura interpretativa. Juntas, as palavras indicam uma proposta editorial que busca estimular curiosidade, reflexão e participação.
Os volumes não pretendem oferecer uma leitura definitiva sobre cada tema. Ao contrário, funcionam como convites para que cada pessoa se reconheça como pesquisadora, mobilize os saberes de seu território e construa relações próprias com os assuntos tratados.
Os quatro primeiros volumes, “Barro”, “Palavra”, “Povo” e “Mangue”, estão disponíveis para download gratuito na Midiateca do Instituto. Com “Céu”, a coleção avança em sua proposta de reunir diferentes vozes e linguagens para pensar temas que conectam natureza, cultura, história, política, arte e educação.
25 anos do Instituto e novos horizontes
O lançamento de “Céu” ganha significado especial por acontecer no ano em que o Instituto Tomie Ohtake celebra 25 anos de atividades. Desde sua criação, a instituição se consolidou como espaço dedicado à arte contemporânea, à educação, à pesquisa e à difusão cultural.
Ao escolher o céu como tema do quinto volume, o Instituto também projeta uma imagem de futuro. A imensidão do firmamento funciona como metáfora para continuidade, abertura e expansão. É um convite a pensar o que vem adiante sem perder a relação com a memória, com os territórios e com as múltiplas formas de conhecimento.
A publicação reafirma o papel do Instituto como espaço de mediação entre arte e sociedade. Ao reunir artistas, cientistas, escritores, educadores e lideranças indígenas, o livro demonstra que os debates contemporâneos exigem escuta ampla e articulação entre diferentes saberes.
Em um momento marcado por crises ambientais, disputas sobre conhecimento e desafios de acesso à cultura, o “Caderno-ensaio 5: Céu” propõe uma experiência editorial sensível e crítica. Olhar para o céu, nesse contexto, também significa repensar a vida na Terra.
Publicação reúne 224 páginas e distribuição gratuita para educadores
O “Caderno-ensaio 5: Céu” tem organização de Divina Prado, Felipe Carnevalli, Gabriela Moulin e Isabela Maia. A publicação conta com 224 páginas, formato 18 × 24 cm e ISBN 978-65-89342-78-6.
O livro terá distribuição gratuita para professores e educadores da rede pública, mediante apresentação de comprovante. Também estará disponível para venda ao público geral, com valores de R$ 80,00 e R$ 42,00.
A distribuição para educadores reforça o vínculo da coleção com práticas formativas. A proposta é fazer com que os conteúdos circulem em contextos de ensino, mediação cultural, pesquisa e formação de públicos. Ao tratar de temas como arte, cosmologias, ciência e clima, o volume oferece material potente para escolas, museus, espaços culturais e projetos educativos.
Com “Céu”, o Instituto Tomie Ohtake amplia a trajetória da coleção Caderno-ensaio e entrega uma publicação que combina pensamento crítico, beleza visual, diversidade de vozes e compromisso com acessibilidade. O livro convida o leitor a olhar para cima, mas também a perceber como o céu atravessa corpos, territórios, memórias e formas de existir.
Serviço
Lançamento Caderno-ensaio 5: Céu
Ficha técnica
Título: Céu
Coleção: Caderno-ensaio
Volume: 5
Organização: Divina Prado, Felipe Carnevalli, Gabriela Moulin e Isabela Maia
Formato: 18 × 24 cm
Páginas: 224
ISBN: 978-65-89342-78-6
Distribuição gratuita para professores e educadores da rede pública, mediante apresentação de comprovante
Preço: R$ 80,00 | R$ 42,00
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201, entrada pela Rua Coropé, 88, Pinheiros, São Paulo
Metrô mais próximo: Estação Faria Lima, Linha 4 Amarela
Funcionamento: terça a domingo, das 11h às 19h, última entrada até 18h
Entrada franca
Telefone: 11 2245 1900
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