Em 21 de setembro, data que marca o Dia Mundial do Alzheimer e Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, o mundo volta sua atenção para a condição neurodegenerativa progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente. No Brasil, onde o tema ainda carece de maior visibilidade, a data serve como um lembrete urgente da necessidade de conscientização, diagnóstico precoce e, sobretudo, de um acompanhamento integral que inclua o suporte psicológico tanto para os pacientes quanto para suas famílias.
A condição não impacta apenas a memória e as funções cognitivas; ela abala profundamente o bem-estar emocional. A partir do diagnóstico, o paciente pode enfrentar uma montanha-russa de emoções, incluindo ansiedade, depressão, frustração e medo. A perda gradual de autonomia e de habilidades antes consideradas básicas, como se comunicar ou se orientar, pode levar a um profundo isolamento e sofrimento psíquico.
O acompanhamento com um profissional de psicologia é fundamental para ajudar o paciente a processar o luto pelas perdas que a doença impõe. A terapia oferece um espaço seguro para expressar sentimentos e, quando possível, trabalhar estratégias para lidar com as mudanças diárias, melhorando a qualidade de vida e a autoestima.
No entanto, o impacto da doença vai muito além do paciente. Familiares e cuidadores frequentemente assumem um papel exaustivo e de grande responsabilidade, que pode levar a um esgotamento físico e mental. A sobrecarga emocional, a pressão financeira e a necessidade de se adaptar a uma rotina de cuidados intensivos podem desencadear a chamada “síndrome do cuidador”, caracterizada por estresse crônico, ansiedade e depressão.
Nesse contexto, o apoio psicológico se torna crucial. A terapia individual ou em grupo para familiares e cuidadores ajuda a validar seus sentimentos, a desenvolver mecanismos de enfrentamento e a encontrar um equilíbrio entre o cuidado do outro e o autocuidado. A troca de experiências com outras famílias que vivem situações semelhantes pode ser um alívio e uma fonte de fortalecimento.
A psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental Sarah Rebeca Barreto ressalta a importância de abordar o tema abertamente. “A conscientização é o primeiro passo para derrubar o estigma e a desinformação que ainda cercam o Alzheimer. Embora não haja cura, é possível retardar o avanço da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, explica.
Segundo a especialista, o estímulo cognitivo desempenha um papel fundamental. “É de extrema importância que os pacientes continuem ativando o cérebro com atividades que utilizem o raciocínio. Exemplos como crochê, pintura, jogos de tabuleiro, palavras-cruzadas ou até mesmo a leitura podem ajudar a manter a mente ativa e a fortalecer as conexões neurais. Essas atividades não apenas ajudam a desacelerar a progressão da doença, mas também dão ao paciente uma sensação de propósito e controle”, conclui Sarah Rebeca.
A Doença de Alzheimer afeta cerca de 1,2 milhão de brasileiros, e esse número tende a crescer com o envelhecimento da população. Dados como esses reforçam a urgência de debates e ações que visem o diagnóstico precoce e a criação de redes de apoio efetivas, que contemplem o bem-estar físico e, acima de tudo, a saúde mental de todos os envolvidos.
