Durante o Junho Verde, campanha mundial de conscientização sobre o câncer renal, o Centro Regional Integrado de Oncologia reforça a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do controle dos fatores de risco
O câncer de rim acende um alerta importante para a população cearense durante o mês de junho. Muitas vezes descoberto por acaso, em exames solicitados para investigar outras condições de saúde, o tumor renal é considerado uma doença silenciosa, especialmente nas fases iniciais. Por isso, o Junho Verde, campanha mundial de conscientização sobre o câncer renal, ganha papel estratégico na ampliação do debate sobre diagnóstico precoce, fatores de risco e acesso ao tratamento especializado.
No Ceará, o Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO) participa da campanha com foco na orientação da população sobre os sinais de alerta e, principalmente, sobre a necessidade de acompanhamento médico regular. A iniciativa busca chamar atenção para uma doença que pode evoluir sem sintomas aparentes e que, quando identificada em estágio inicial, apresenta maiores possibilidades de tratamento com intenção curativa.
O tumor renal está entre os tipos de câncer mais comuns no mundo e acomete principalmente adultos entre 50 e 70 anos. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres, o que reforça a necessidade de atenção especial ao público masculino, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo, obesidade, hipertensão arterial ou casos familiares de câncer renal.
Câncer de rim costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais
Um dos principais desafios do câncer de rim é justamente a ausência de sintomas no início da doença. Em muitos casos, o paciente mantém sua rotina normalmente, sem dor, desconforto ou alterações perceptíveis. Essa característica faz com que o tumor seja frequentemente identificado de maneira incidental, durante exames de imagem realizados por outros motivos, como ultrassonografias de abdômen ou tomografias solicitadas em avaliações clínicas diversas.
O urologista do CRIO, Dr. Everaldo Moura, alerta que o câncer de rim é um inimigo extremamente silencioso. Segundo o especialista, na grande maioria dos casos o paciente não sente absolutamente nada no começo e o tumor acaba sendo descoberto por acaso, por meio de um achado incidental em uma ultrassonografia de abdômen ou tomografia solicitada por outro motivo.
Essa descoberta casual, embora inesperada, pode ser decisiva para o sucesso do tratamento. Quando o câncer renal é localizado em fase inicial, antes de atingir outras estruturas ou se espalhar pelo organismo, as chances de controle da doença são significativamente maiores. Por isso, a campanha Junho Verde reforça a importância de exames de rotina, especialmente para pessoas com fatores de risco.
Sinais como sangue na urina e dor lombar exigem atenção imediata
Embora silencioso no começo, o câncer de rim pode apresentar sintomas quando se encontra em estágio mais avançado. Entre os sinais clássicos estão sangue na urina, conhecido como hematúria, dor persistente na região lombar e presença de massa palpável no abdômen ou na lateral do corpo. Esses sintomas, no entanto, nem sempre aparecem juntos e podem ser confundidos com outras condições urológicas ou abdominais.
O Dr. Everaldo Moura ressalta que quando os sintomas clássicos, como sangue na urina, dor na região lombar ou uma massa palpável aparecem, geralmente significa que a doença já se encontra em um estágio mais avançado. O alerta é importante porque a demora na busca por atendimento médico pode reduzir as possibilidades terapêuticas e tornar o tratamento mais complexo.

Além desses sinais, alguns pacientes podem apresentar perda de peso sem explicação, cansaço persistente, anemia, febre recorrente ou perda de apetite. Como essas manifestações são inespecíficas, a avaliação médica se torna indispensável para diferenciar o câncer renal de outras doenças e definir a investigação adequada.
Tabagismo, obesidade e hipertensão aumentam risco de câncer renal
Embora predisposições genéticas e histórico familiar possam influenciar o desenvolvimento da doença, hábitos de vida e condições crônicas têm impacto direto no risco de câncer de rim. Entre os principais fatores modificáveis estão o tabagismo, a obesidade e a hipertensão arterial.
O tabagismo é apontado como um dos fatores de risco mais relevantes. O hábito de fumar expõe o organismo a substâncias cancerígenas que, após serem absorvidas, circulam pelo sangue e podem afetar diferentes órgãos, incluindo os rins. Segundo o urologista do CRIO, o cigarro duplica o risco de desenvolvimento do tumor renal, o que torna a interrupção do tabagismo uma medida essencial de prevenção.
A obesidade também está associada ao aumento do risco. O excesso de peso provoca alterações metabólicas e hormonais que podem favorecer processos inflamatórios e estimular mecanismos relacionados ao surgimento de células cancerígenas. Já a hipertensão arterial crônica, especialmente quando não controlada, também eleva a probabilidade de desenvolvimento da patologia.
Esses fatores reforçam a importância de uma rotina de cuidados que inclua alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão arterial, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico. A prevenção do câncer de rim passa por decisões cotidianas que impactam diretamente a saúde geral do organismo.
Diagnóstico precoce amplia chances de cura e reduz complexidade do tratamento
O diagnóstico do câncer renal geralmente começa com exames de imagem. A ultrassonografia pode identificar alterações suspeitas no rim, enquanto a tomografia computadorizada e a ressonância magnética ajudam a avaliar o tamanho do tumor, sua localização e possível comprometimento de outras estruturas. Em alguns casos, exames laboratoriais e avaliação clínica complementar também são utilizados para orientar a conduta médica.
O ponto central da campanha Junho Verde é mostrar que o diagnóstico precoce pode mudar a trajetória da doença. Tumores pequenos e localizados, identificados antes da disseminação, podem ser tratados com cirurgia e acompanhamento especializado. A abordagem depende do estágio da doença, das condições clínicas do paciente, da função renal e da avaliação da equipe médica.
No CRIO, os pacientes regulados no estado contam com uma estrutura voltada ao atendimento oncológico, reunindo profissionais de diferentes especialidades. A atuação multidisciplinar é considerada essencial para o cuidado integral, pois permite que cada caso seja avaliado de forma individualizada, considerando não apenas o tumor, mas também a saúde global do paciente.
Tratamento evoluiu com cirurgia, terapias-alvo e imunoterapia
O tratamento do câncer de rim avançou nos últimos anos e hoje varia conforme o estágio em que a doença é descoberta. Quando o diagnóstico acontece em fase inicial, a principal intervenção costuma ser a cirurgia para retirada parcial ou total do rim afetado, procedimento conhecido como nefrectomia. Em alguns casos, é possível preservar parte do órgão, dependendo do tamanho e da localização do tumor.
A nefrectomia parcial pode ser indicada quando há possibilidade de remover apenas a área afetada, preservando tecido renal saudável. Já a nefrectomia radical envolve a retirada total do rim comprometido e pode ser necessária em tumores maiores ou mais complexos. A escolha da técnica depende da avaliação médica e das características específicas de cada caso.
Nos casos em que há metástase, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo, o tratamento também passou por avanços importantes. O Dr. Everaldo Moura explica que a medicina evoluiu muito com a chegada das terapias-alvo e da imunoterapia, permitindo que o paciente tenha mais longevidade e qualidade de vida durante o tratamento.
As terapias-alvo atuam em mecanismos específicos relacionados ao crescimento do tumor, enquanto a imunoterapia busca estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerígenas. Essas estratégias ampliaram as possibilidades de cuidado para pacientes com doença avançada e trouxeram novas perspectivas para o tratamento oncológico.
Junho Verde reforça prevenção e cuidado com a saúde dos rins
A campanha Junho Verde tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre o câncer de rim e estimular atitudes preventivas. O CRIO reforça que a informação é uma aliada fundamental para combater uma doença que, por ser silenciosa, pode avançar sem que o paciente perceba.
A recomendação é que pessoas com fatores de risco mantenham acompanhamento regular com profissionais de saúde. Homens acima dos 50 anos, fumantes, pessoas com obesidade, pacientes hipertensos, indivíduos com histórico familiar de câncer renal ou com doenças renais crônicas devem redobrar a atenção.
Além disso, qualquer alteração urinária, dor lombar persistente ou sintoma inexplicável deve ser investigado. O objetivo não é gerar medo, mas estimular uma cultura de cuidado, prevenção e diagnóstico precoce. Em oncologia, identificar a doença no momento certo pode ser determinante para ampliar as chances de cura e reduzir impactos no tratamento.
Ao aderir ao Junho Verde, o CRIO reforça seu compromisso com a saúde da população cearense e com a disseminação de informações seguras sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer renal. A mensagem central da campanha é clara: mesmo quando não há sintomas, cuidar da saúde deve ser uma prioridade.

