Mostra reúne 30 obras produzidas em colaboração entre os artistas e propõe uma reflexão sobre criação coletiva, convivência e arte contemporânea em Fortaleza.
A cena artística de Fortaleza recebe, a partir desta sexta-feira (16), uma das exposições mais simbólicas e potentes do calendário cultural de 2026. A mostra Travessias Híbridas coloca frente a frente dois nomes de gerações distintas da arte contemporânea brasileira: Hélio Rôla e Wilson Neto. Em cartaz no Banco do Nordeste Cultural, a exposição apresenta 30 obras em grande formato produzidas em um processo criativo compartilhado que atravessa pintura, diálogo, convivência e experimentação artística.
Com curadoria de Flávia Muluc e assistência curatorial de Jorge Silvestre, Travessias Híbridas nasce de um encontro raro dentro da produção artística contemporânea. Em vez de cada artista apresentar trabalhos individuais, a proposta foi construir uma obra coletiva, literalmente feita a quatro mãos, em um exercício contínuo de escuta, interferência, troca e criação conjunta.
O resultado é uma exposição que ultrapassa o conceito tradicional de colaboração artística e transforma o próprio encontro humano em linguagem visual.
Hélio Rôla, um dos nomes históricos das artes visuais cearenses, chega à mostra prestes a completar 90 anos em 2026. Com uma trajetória marcada pela experimentação e pela força simbólica de sua produção, o artista vê na parceria um processo de aprendizado mútuo.
“Aprendo muito com o Wilson e ensino também; é uma arte que surge da convivência e do diálogo”, afirma o artista.
Já Wilson Neto destaca o aspecto afetivo da experiência criativa compartilhada. Para ele, o projeto também funciona como uma travessia emocional e intelectual entre diferentes visões de mundo.
“Pintar com Hélio é uma experiência interessantíssima, tanto pelo seu humor afiado quanto pelas afinidades que vamos descobrindo, preservando também nossas diferenças.”
A exposição surgiu a partir da percepção da curadora Flávia Muluc, que identificou aproximações poéticas entre os dois artistas. Segundo ela, o projeto evidencia como trajetórias distintas podem coexistir sem perder identidade.
“A exposição apresenta o resultado do encontro de duas forças criativas que, juntas, constroem um horizonte repleto de cores e narrativas”, destaca a curadora.

Em um momento em que grande parte da produção cultural contemporânea discute individualidade, velocidade e hiperexposição, Travessias Híbridas segue na direção oposta. A mostra propõe desacelerar o olhar e observar a construção coletiva como ferramenta de criação artística. Cada obra carrega marcas das diferenças entre os artistas, mas também revela pontos de convergência que surgem naturalmente durante o processo.
O público que visitar a exposição encontrará trabalhos marcados por intensidade cromática, gestualidade, sobreposição de narrativas e liberdade estética. As telas revelam não apenas a identidade visual dos artistas, mas também o percurso do diálogo estabelecido entre eles ao longo dos últimos anos.
As obras foram produzidas entre 2023 e 2026 e refletem um processo contínuo de construção compartilhada. Em diversos momentos, um artista iniciava a pintura e o outro interferia posteriormente, criando camadas visuais que desafiam a ideia de autoria individual. A proposta transforma o espaço expositivo em um território de convivência artística e evidencia como a arte pode funcionar como ponte entre tempos, experiências e perspectivas diferentes.
A escolha de Fortaleza como palco da exposição também reforça a relevância da cidade dentro do circuito artístico brasileiro. Nos últimos anos, a capital cearense tem ampliado sua presença em debates culturais nacionais, fortalecendo instituições, artistas independentes e projetos voltados à formação de público.
Neste contexto, o Banco do Nordeste Cultural se consolida como um dos principais espaços de circulação artística da cidade, promovendo exposições, projetos educativos e ações que aproximam a arte contemporânea do público cearense.
Travessias Híbridas também contará com uma programação educativa ao longo do período expositivo. Estão previstas visitas mediadas, rodas de conversa e ações formativas voltadas para estudantes, artistas, pesquisadores e interessados em arte contemporânea.
A iniciativa amplia a experiência da exposição e fortalece a proposta central do projeto: transformar o encontro em ferramenta de construção coletiva de conhecimento.
O projeto é realizado pelo Instituto Ecocult e conta com patrocínio do Banco do Nordeste, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.
A expectativa é que a mostra se torne um dos destaques da agenda cultural em Fortaleza nos próximos meses, atraindo não apenas o público ligado às artes visuais, mas também visitantes interessados em experiências culturais profundas e reflexivas.
Em uma sociedade marcada por polarizações, velocidade e isolamento, Travessias Híbridas surge como um lembrete poderoso de que criar junto também pode ser um ato de resistência.
Saiba mais:
Exposição: Travessias Híbridas
Artistas: Hélio Rôla e Wilson Neto
Local: Banco do Nordeste Cultural, Fortaleza
Período: 16 de maio a 18 de julho de 2026
Entrada: Gratuita
Programação: visitas mediadas, rodas de conversa e ações formativas
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