Juros do rotativo seguem em patamar elevado no Brasil e fazem pequenas dívidas crescerem rapidamente. Entenda como funciona essa cobrança e por que milhões de consumidores ainda caem nela.
Cartão de crédito exige atenção redobrada em 2026
O cartão de crédito continua sendo um dos meios de pagamento mais usados pelos brasileiros, mas também está por trás de uma das dívidas mais caras do país. A facilidade de parcelar compras, pagar aplicativos, assinar serviços digitais e resolver despesas do mês em poucos segundos esconde um risco que pode comprometer o orçamento por muito tempo: o crédito rotativo.
O rotativo acontece quando o consumidor não paga o valor total da fatura. Ao quitar apenas uma parte, o saldo restante entra automaticamente em uma linha de crédito com juros elevados. É nesse ponto que uma compra aparentemente simples pode virar uma dívida difícil de controlar.
Segundo dados do Banco Central citados pela imprensa econômica, os juros do crédito rotativo do cartão chegaram a 428,3% ao ano em março de 2026. Na prática, uma dívida que parecia pequena pode crescer rapidamente caso o consumidor não consiga reorganizar o pagamento.

Por que a dívida do cartão cresce tão rápido?
A principal razão está na cobrança de juros sobre o saldo que ficou em aberto. Quando o consumidor paga somente o mínimo da fatura, o valor restante passa a ser financiado pelo banco. No mês seguinte, além das novas compras, a fatura já chega com encargos sobre a dívida anterior.
Esse efeito acumulado cria uma bola de neve financeira. O consumidor acredita que está apenas “ganhando prazo”, mas, na realidade, passa a pagar um dos créditos mais caros disponíveis no mercado.
Um exemplo simples ajuda a entender: se uma pessoa deixa R$ 800 em aberto no cartão, esse valor pode ultrapassar alguns milhares de reais ao longo de um ano, dependendo dos juros aplicados e das condições do contrato. Por isso, especialistas em educação financeira recomendam evitar o pagamento mínimo sempre que possível.
O cartão virou complemento da renda?
O uso do cartão de crédito cresceu porque ele oferece conveniência, segurança e benefícios. Bancos digitais ampliaram o acesso ao crédito, programas de cashback ganharam força e cartões com pontos, milhas e salas VIP passaram a atrair consumidores de diferentes faixas de renda.
O problema surge quando o cartão deixa de ser meio de pagamento e passa a funcionar como extensão do salário. Muitas famílias recorrem ao limite para fechar despesas básicas, como supermercado, farmácia, combustível, contas domésticas e compras parceladas.
Com o custo de vida elevado, o cartão se transforma em alívio imediato, mas pode virar pressão no mês seguinte. Quando várias parcelas se acumulam ao mesmo tempo, a renda futura já chega comprometida antes mesmo de o salário cair na conta.
Nova regra reduziu o problema?
Desde 2024, passaram a valer mudanças que limitaram a cobrança total de juros e encargos no rotativo e no parcelamento da fatura. A medida trouxe algum controle sobre o crescimento extremo das dívidas, mas não tornou o cartão barato.
Mesmo com o limite, o crédito rotativo segue sendo uma modalidade de alto risco para o consumidor. A recomendação continua sendo buscar alternativas antes de deixar a fatura vencer ou pagar apenas o mínimo.
Em muitos casos, negociar com o banco, trocar a dívida por um empréstimo com juros menores ou reorganizar o orçamento pode ser uma saída menos prejudicial.
Como evitar cair na armadilha do cartão
O primeiro passo é acompanhar a fatura antes do fechamento. Esperar o vencimento para descobrir o valor total é um erro comum. Aplicativos bancários permitem verificar os gastos em tempo real, o que ajuda a perceber excessos antes que a conta fique pesada.
Outra medida importante é evitar muitas compras parceladas ao mesmo tempo. Uma parcela pequena parece inofensiva isoladamente, mas várias parcelas juntas podem comprometer grande parte da renda mensal.
Também é recomendado manter um limite compatível com a realidade financeira. Ter limite alto não significa ter dinheiro disponível. Para muitas pessoas, reduzir o limite do cartão pode ser uma estratégia eficiente para controlar impulsos.
Quem já está endividado deve evitar contrair novas compras no mesmo cartão e procurar renegociação o quanto antes. Quanto maior a demora, maior a dificuldade para sair do ciclo.
Benefícios do cartão ainda valem a pena?
Sim, desde que o consumidor pague a fatura integralmente. Cashback, milhas, pontos, seguros, descontos e acesso a salas VIP podem ser vantajosos para quem tem disciplina financeira e usa o cartão como ferramenta de organização.
Para quem atrasa pagamentos ou entra no rotativo com frequência, os benefícios perdem força rapidamente. Nenhum programa de pontos compensa juros elevados acumulados por meses.
O cartão de crédito pode ser aliado do consumidor, mas exige controle. Em 2026, a atenção precisa ser ainda maior: a praticidade continua atraente, mas o custo do descontrole pode comprometer o orçamento por muito tempo.
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