Paisagista Denis Bessa cria ambiente de 226 m² que propõe pausa, presença e reconexão sensorial no percurso da maior mostra de arquitetura, design e paisagismo das Américas
Na edição 2026 da CASACOR São Paulo, o paisagismo ganha papel de protagonista com o Refúgio Fleury, ambiente assinado pelo paisagista Denis Bessa, à frente do Estúdio Musgo. Com 226 m², o espaço foi implantado na passagem entre os dois prédios principais da mostra, no Parque da Água Branca, e nasce justamente dessa posição estratégica: ser um intervalo no percurso, um lugar de pausa entre dezenas de ambientes de arquitetura, interiores e design.
O projeto foi concebido para que o visitante possa parar, respirar e absorver a experiência antes de seguir pela mostra. Em uma edição guiada pelo tema “Mente e Coração”, o Refúgio Fleury propõe uma mudança de ritmo. Ao longo da visita, a mente é constantemente estimulada por referências visuais, soluções estéticas, materiais, mobiliário, cores e narrativas de projeto. O ambiente criado por Denis Bessa devolve o corpo ao centro da experiência, acionando aroma, textura, água, sombra, vegetação e contemplação.
A CASACOR São Paulo 2026 acontece de 2 de junho a 9 de agosto, no Parque da Água Branca, e reúne mais de 70 ambientes assinados por profissionais de arquitetura, design de interiores e paisagismo. O site oficial da mostra confirma o funcionamento de terça a domingo, das 11h às 22h, com entrada permitida no Parque da Água Branca até às 20h e acesso à exposição até às 20h15. (CASACOR)
Um refúgio entre mente, coração e natureza
O conceito do Refúgio Fleury parte de uma leitura sensorial do tema da CASACOR São Paulo 2026. Se “Mente e Coração” propõe reflexão sobre razão, emoção, bem-estar e formas de habitar, o jardim criado pelo Estúdio Musgo materializa essa ideia em uma experiência de desaceleração.
No ambiente, plantas aromáticas, texturas naturais, som da água e presença de árvores atuam em conjunto para recalibrar a percepção do visitante. A proposta é permitir uma experiência mais lenta, atenta e conectada ao entorno, em contraste com o ritmo intenso de uma grande mostra.
“As plantas aromáticas, a textura dos materiais naturais, o som da água e a presença das árvores atuam em conjunto para devolver ao visitante uma percepção mais lenta e mais atenta do que está ao redor, propondo uma recalibração”, explica Denis Bessa.
A ideia de refúgio aparece não apenas no nome, mas também na forma como o espaço acolhe o público. A vegetação cria sombra, a água introduz movimento e o desenho do mobiliário orienta o percurso sem impor uma direção rígida. O visitante é convidado a permanecer.
Geometria poligonal estrutura a experiência
O projeto do Refúgio Fleury foi desenvolvido a partir de recortes angulares. Os bancos imersos na vegetação têm forma triangular, assim como o espelho d’água. A lareira escultórica, desenhada pelo próprio Estúdio Musgo e revestida inteiramente em espelho, segue a mesma lógica poligonal.
Essa escolha formal cria unidade visual e conduz o olhar de maneira sutil. A geometria não aparece como elemento decorativo isolado, mas como linguagem que organiza o espaço, define pontos de permanência e estrutura a experiência do visitante.
“Esta linguagem cria ritmo, conduzindo o olhar e estruturando a experiência do espaço de forma sutil e precisa”, comenta Denis Bessa.
O deck de madeira natural de garapeira também segue a mesma lógica, com recortes triangulares e poligonais que reforçam a coerência do conjunto. O resultado é um jardim que une fluidez vegetal e precisão geométrica, criando contraste entre o crescimento orgânico das plantas e a arquitetura desenhada do percurso.
Espécies nativas e plantas aromáticas conduzem o projeto
A escolha das espécies partiu de duas diretrizes principais. A primeira foi a predominância de plantas nativas, que representam 70% da vegetação do ambiente. A segunda foi a incorporação de plantas aromáticas e medicinais, como alecrim, lavanda, sálvia e capim-limão.
Essas espécies não foram selecionadas apenas pelo valor ornamental. Elas conduzem o visitante também pelo olfato, reforçando a relação entre natureza, saúde e bem-estar. Em um espaço criado para desacelerar, o aroma se torna elemento de projeto, ajudando a construir uma experiência sensorial completa.
A opção por vegetação nativa também dialoga com o propósito do Estúdio Musgo, que desenvolve projetos com ênfase na valorização da flora brasileira. O próprio site do estúdio apresenta a Musgo como um escritório de paisagismo que dá continuidade a um trabalho familiar ligado às belezas naturais do Brasil. (Musgo)
Árvores criam teto vegetal e definem a chegada
As árvores são as grandes protagonistas do Refúgio Fleury. O jardim conta com 15 sibipirunas, espécie nativa que pode atingir até seis metros de altura, formando um teto vegetal sobre o espaço. Ao cruzar o corredor entre os prédios, o visitante se depara com uma cobertura verde densa, distinta dos demais pontos da mostra.
A experiência de entrada é definida por essa escala. Em vez de um jardim baixo ou apenas ornamental, o ambiente apresenta altura, copa e sombra, criando a sensação de imersão em um fragmento de natureza dentro do percurso urbano da CASACOR.
Duas sete-copas africanas foram escolhidas pela arquitetura ramificada e pela presença escultórica. Jabuticabeiras completam o grupo de espécies de copa alta, reforçando o diálogo entre vegetação, memória afetiva e identidade brasileira.
No estrato mais baixo, guaimbês, marantas, zebrinas, alocasias e philodendron adensam o ambiente. A composição cria profundidade visual e amplia a sensação de refúgio, com diferentes camadas de folhas, volumes, texturas e tons de verde.
“Toda a vegetação está em vasos. O deck também foi especificado com procedência rastreada, com documentação que comprova a origem legal da madeira”, comenta Denis.
Sustentabilidade aparece nas escolhas técnicas
Além da seleção de espécies nativas, o Refúgio Fleury incorpora decisões ligadas à sustentabilidade e à responsabilidade sobre os materiais. A vegetação em vasos permite flexibilidade, manejo e possível reaproveitamento após a mostra. Já a madeira natural de garapeira foi especificada com procedência rastreada, com documentação que comprova sua origem legal.
Essas escolhas reforçam uma discussão cada vez mais presente no paisagismo contemporâneo: a necessidade de unir beleza, funcionalidade e responsabilidade ambiental. Em uma mostra de grande visibilidade como a CASACOR São Paulo, cada decisão de projeto comunica tendências e referências para o mercado.
A presença de plantas aromáticas e medicinais também amplia o olhar sobre o jardim. O espaço não é apenas contemplativo. Ele sugere uma relação de cuidado, memória, corpo e saúde, aproximando o paisagismo de temas como bem-estar urbano e qualidade de vida.
Mobiliário acompanha o percurso e valoriza a contemplação
No Refúgio Fleury, o mobiliário foi organizado em função do fluxo dos visitantes. O sofá central ocupa a área de maior circulação, próximo a uma arquibancada voltada para o jardim, criando um ponto de contemplação em meio à passagem.
A escolha permite que o espaço seja vivido em diferentes tempos. Alguns visitantes podem apenas atravessar o ambiente, enquanto outros encontram lugares para sentar, observar e permanecer. Essa possibilidade de pausa reforça a proposta central do projeto.
Espelhos assinados por Tomas Graeff ampliam a percepção espacial e criam jogos de reflexo entre vegetação e arquitetura. As superfícies espelhadas multiplicam o verde, deslocam perspectivas e intensificam a sensação de profundidade.
Duas obras de Moyses Mellin adicionam uma camada conceitual ao conjunto, conectando natureza, arte e a ideia de presença que orienta todo o projeto. Na área do lounge da lareira, poltronas de Carlos Motta completam a composição, reforçando a relação entre design brasileiro, conforto e materialidade.
Paisagismo como protagonista da mostra
O Refúgio Fleury demonstra como o paisagismo pode ocupar lugar central dentro de uma mostra de arquitetura e design. Em um percurso composto majoritariamente por ambientes fechados, o jardim de Denis Bessa introduz escala, altura, aroma, movimento e sombra.
Esses elementos alteram concretamente a experiência do visitante. A passagem entre os prédios deixa de ser apenas uma área de transição e passa a funcionar como espaço de permanência, respiro e reconexão.
Na CASACOR São Paulo 2026, que ocupa o Parque da Água Branca, a integração entre arquitetura, paisagismo e áreas externas ganha relevância especial. A mostra deste ano apresenta dezenas de ambientes e reforça a relação com o espaço público, a natureza e a experiência do visitante. (CASACOR)
O Refúgio Fleury se insere nesse contexto como um projeto que valoriza a pausa em meio ao excesso de estímulos. Em vez de competir com os ambientes ao redor, ele propõe silêncio, presença e percepção.
Denis Bessa leva trajetória familiar ao Estúdio Musgo
Denis Bessa é paisagista e fundador do Estúdio Musgo, criado em São Paulo. Sua relação com o paisagismo vem da infância, em uma família de jardineiros e floristas. Desde cedo, acompanhou os pais no trabalho e compreendeu que queria atuar com natureza de forma estruturada, unindo prática, projeto e escritório.
Para construir esse caminho, combinou formação em administração com cursos técnicos em paisagismo no Brasil e em Lisboa. A transição profissional aconteceu gradualmente, com trabalhos realizados para amigos durante a pandemia. A demanda cresceu, os projetos se multiplicaram e, em 2023, Denis abriu a Musgo.
A CASACOR também passou a fazer parte da trajetória do estúdio. A página oficial da mostra apresenta o Estúdio Musgo como ateliê paulistano liderado por Denis Bessa e composto por profissionais ligados ao design e ao paisagismo. (CASACOR)
Em menos de três anos, o escritório foi convidado a assinar jardins em edições consecutivas da CASACOR São Paulo, até receber convite para desenvolver um ambiente próprio. A Musgo atua em projetos residenciais e corporativos com foco em vegetação nativa e na criação de refúgios naturais em contextos urbanos.
CASACOR São Paulo 2026 ocupa o Parque da Água Branca
A CASACOR São Paulo é considerada uma das principais plataformas culturais de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. Em 2026, a mostra acontece no Parque da Água Branca, reunindo profissionais renomados e projetos que dialogam com moradia, cidade, sustentabilidade, afeto e novas formas de viver.
A edição deste ano segue até 9 de agosto e funciona de terça a domingo, das 11h às 22h. De acordo com informações oficiais da CASACOR, os ingressos podem ser adquiridos pela bilheteria online, pelo aplicativo oficial e também presencialmente no local. (CASACOR)
O evento reúne arquitetura, interiores, arte, design e paisagismo em uma programação que transforma o Parque da Água Branca em percurso de experiências. Nesse cenário, o Refúgio Fleury aparece como um dos ambientes externos de destaque, especialmente por propor uma pausa sensorial no meio da visita.
Refúgio urbano em meio ao ritmo da cidade
O Refúgio Fleury sintetiza um dos debates mais importantes do paisagismo contemporâneo: como criar espaços de natureza dentro de contextos urbanos acelerados. Em São Paulo, cidade marcada por ruído, excesso de informação e deslocamentos intensos, um jardim de pausa dentro de uma mostra se torna uma resposta simbólica e concreta.
Ao combinar árvores altas, plantas aromáticas, água, madeira, espelho, arte e mobiliário, Denis Bessa cria um ambiente que propõe outra relação com o tempo. A experiência não depende apenas da contemplação visual, mas de um conjunto de estímulos que convida o visitante a estar presente.
O projeto mostra que o paisagismo pode ser mais do que ornamentação. Pode estruturar percursos, organizar sensações, acolher corpos e criar memórias. Na CASACOR São Paulo 2026, o Refúgio Fleury funciona como um intervalo necessário entre mente e coração.
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Serviço
CASACOR São Paulo 2026
Onde: Parque da Água Branca, Rua Dona Ana Pimentel, s/n, portaria G4 do PAB, São Paulo, SP
Quando: de 2 de junho a 9 de agosto de 2026
Horário do evento: terça a domingo, das 11h às 22h
Bilheteria física: terça a domingo, das 11h às 20h15
Bilheteria digital: appcasacor.com.br/events/sao-paulo-2026
Ingressos: R$ 141,00, inteira, e R$ 70,50, meia-entrada
Gratuidade: crianças com idade comprovada de até 10 anos
Compra em grupo: acima de 10 ingressos ou por CNPJ, contato pelo e-mail bilheteriacasacor@abril.com.br
Redes sociais: @casacor_oficial e @casacor_sustentavel
Estúdio Musgo
Paisagista: Denis Bessa
Projeto: Refúgio Fleury
Área: 226 m²
Site: musgo.eco.br
Instagram: @musgo___

