Emendas no Congresso podem comprometer até 500 mil vagas de jovens aprendizes no Brasil

Emendas ao Estatuto da Aprendizagem podem reduzir até 500 mil vagas de jovens aprendizes no Brasil, alertam especialistas.

Especialistas alertam para risco de retrocesso na política de inclusão produtiva com mudanças no Estatuto da Aprendizagem

A revisão do Estatuto da Aprendizagem, em discussão no Congresso Nacional, acende um alerta para o futuro de milhares de jovens brasileiros. Em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 6.461/2019 pode impactar diretamente a política pública que garante acesso ao primeiro emprego por meio da aprendizagem profissional, regulamentada pela Lei 10.097/2000.

Atualmente, a legislação determina que empresas de médio e grande porte contratem entre 5% e 15% de aprendizes, jovens entre 14 e 24 anos, em um modelo que alia formação teórica e prática. No entanto, emendas inseridas no texto em tramitação podem flexibilizar essa obrigatoriedade, comprometendo a base de cálculo das vagas e reduzindo significativamente as oportunidades.

A estimativa é de que até 500 mil vagas possam ser afetadas caso as alterações sejam mantidas. Entre as mudanças propostas está a exclusão de determinadas funções, como motoristas, vigilantes e atividades externas, do cálculo da cota de aprendizagem, o que diminuiria a exigência de contratação por parte das empresas.

Além disso, especialistas apontam que o texto passou a incorporar temas que não dialogam diretamente com o objetivo central do Estatuto, gerando preocupação quanto à segurança jurídica e à continuidade da política pública.

Para Antonio Pasin, o momento exige cautela. Segundo ele, o foco deveria estar no fortalecimento do programa e na ampliação do acesso à qualificação profissional. “A prioridade deve ser aperfeiçoar os mecanismos existentes e garantir mais oportunidades para adolescentes e jovens. A aprovação com essas alterações representa um risco de retrocesso em uma política com impacto social e econômico comprovado”, afirma.

Diante do cenário, a Febraeda anunciou o lançamento de uma campanha nas redes sociais para sensibilizar parlamentares sobre a importância da aprendizagem profissional como política preventiva e integrada às áreas de trabalho, educação e assistência social.

A mobilização busca a retirada das emendas propostas, com o objetivo de preservar e ampliar as oportunidades para a juventude brasileira no mercado de trabalho.


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