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Primeira noite reuniu desfiles, música, economia criativa e novos talentos em uma edição integrada às comemorações dos 300 anos de Fortaleza
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura recebeu, nesta terça-feira, 9 de junho, a abertura do DFB Festival 2026, em uma noite marcada pela força da moda autoral, pela presença da música brasileira, pela valorização da economia criativa e pela projeção de novos talentos. Inserido nas comemorações dos 300 anos de Fortaleza, o festival deu início a uma programação intensa que segue até sexta-feira, 12 de junho, ocupando diferentes espaços da Praia de Iracema e reafirmando a capital cearense como um dos principais territórios criativos do país.
A abertura reuniu estilistas, estudantes, artistas, autoridades, representantes de instituições parceiras, convidados e público em uma experiência que foi além das passarelas. O DFB Festival 2026 começou com a proposta de aproximar moda, cidade, patrimônio, música e cultura em um mesmo circuito simbólico. Em vez de concentrar sua narrativa apenas no desfile, o evento transforma Fortaleza em cenário vivo para a criação autoral brasileira.
O momento inaugural contou com a presença da vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar; do secretário do Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro; da secretária da Cultura do Ceará, Gecíola Fonseca; da secretária do Turismo de Fortaleza, Denise Carrá; da coordenadora de Comunicação da Enel Ceará, Patrícia Varela; e da superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Camila Rodrigues.
Apresentado pela Enel Brasil e Prefeitura de Fortaleza, com apoio institucional do Governo do Estado do Ceará, o DFB Festival 2026 tem realização da Associação Artesanias do Ceará e do Empório Lokar, com apoio institucional da Secult Ceará, por meio da Lei nº 1.012/2022.
Moda autoral como força de renovação
Em um discurso marcado pela defesa da criatividade, da identidade brasileira e da permanência da moda autoral como força estratégica para o setor, o diretor do DFB, Cláudio Silveira, destacou o papel do festival na formação de novos olhares e na renovação da indústria.
“É para isso que existe e resiste o DFB Festival. Para a gente continuar gritando com respeito e lutando em nome da moda autoral, porque é dela que a indústria se renova, é a partir dela que o mercado se oxigena. É por causa dela que o Brasil tem sempre novos motivos de se orgulhar”, disse.

A fala sintetizou o espírito da edição 2026. O DFB não se limita a apresentar coleções. O festival atua como plataforma de visibilidade, formação, experimentação e afirmação estética. Ao reunir nomes consolidados, estreantes, estudantes, artesãos, marcas independentes e projetos de impacto cultural, o evento reforça a importância da criação autoral em um mercado frequentemente pressionado pela padronização.
Na abertura, essa vocação apareceu em diferentes camadas. Estava nos trabalhos manuais, nas referências ao sertão, nas leituras sobre periferia, nas manifestações da fé popular, nas modelagens fluidas, nos bordados, nos crochês, nos tecidos naturais e na presença de estudantes vindos de diferentes instituições brasileiras. A passarela foi tratada como espaço de narrativa, memória e disputa simbólica.
Concurso dos Novos abre os desfiles da primeira noite

O tradicional Concurso dos Novos marcou o início dos desfiles do DFB Festival 2026. A competição reuniu estudantes do Ateneu, Universidade de Caxias do Sul, Universidade do Estado de Santa Catarina e Universidade Federal do Cariri, reafirmando o compromisso histórico do evento com a descoberta e a projeção de novos talentos da moda brasileira.
A presença de instituições de diferentes regiões reforçou o alcance nacional do festival e sua relevância como vitrine para jovens criadores. No DFB, estudantes encontram um ambiente de alta exposição, contato com profissionais do mercado, diálogo com a imprensa especializada e possibilidade de apresentar pesquisas criativas em uma plataforma de impacto.
Ao longo dos anos, o Concurso dos Novos se consolidou como um dos pilares do festival. Em 2026, a iniciativa ganha ainda mais importância por estar inserida em uma edição que valoriza a cidade, a memória cultural e o futuro da moda autoral brasileira. A formação de novos criadores aparece como parte essencial desse processo.
Casa Aika estreia com homenagem ao feminino
Entre os destaques da primeira noite, a Casa Aika estreou nas passarelas do DFB com a coleção “Bença”. A apresentação trouxe uma homenagem ao feminino por meio de uma construção delicada, afetiva e artesanal. A marca apostou em modelagens fluidas, transparências suaves, linho e trabalhos manuais desenvolvidos por artesãs cearenses.
A coleção revelou uma leitura sensível da moda como gesto de cuidado, memória e ancestralidade. O uso do trabalho manual aproximou a apresentação de uma estética que valoriza processos, tempo e colaboração. Em um evento dedicado à moda autoral, essa escolha reforçou a importância da produção feita com identidade e vínculo com o território.
“Bença” também dialogou com uma dimensão simbólica do vestir. A palavra remete a proteção, afeto, herança familiar e reverência. Na passarela, essa atmosfera apareceu na leveza dos tecidos, na suavidade das formas e na presença de elementos que valorizam o feminino sem reduzir a criação a uma única leitura.
100% CeArt transforma fé popular em moda
O projeto 100% CeArt, assinado por Almir França, apresentou a coleção “Do Sagrado ao Encanto”, inspirada nas manifestações da fé popular e nas tradições culturais do Ceará. A coleção reuniu peças produzidas por artesãos de 18 municípios do Estado, fortalecendo o diálogo entre moda, artesanato, território e patrimônio imaterial.
A apresentação destacou a potência criativa do artesanato cearense como linguagem contemporânea. Ao levar para a passarela referências ligadas ao sagrado, às devoções populares e às tradições culturais, o projeto construiu uma narrativa em que a moda atua como extensão da memória coletiva.
A presença de artesãos de diferentes municípios também ampliou o alcance social da coleção. O desfile não representou apenas uma proposta estética, mas também uma cadeia de saberes, técnicas e modos de fazer. Em um festival que valoriza a economia criativa, esse tipo de articulação fortalece o papel do artesanato como ativo cultural, econômico e simbólico.
Mancuda leva a periferia para o centro da passarela
A Mancuda apresentou a coleção “FavelaWear”, uma das propostas de maior força urbana da noite. A marca levou à passarela uma reflexão sobre a moda produzida nas periferias de Fortaleza, revisitando elementos presentes no cotidiano das comunidades por meio de volumes ampliados, texturas marcantes e uma leitura contemporânea da identidade urbana cearense.
A coleção colocou em evidência uma estética que nasce da rua, da vivência coletiva e dos códigos visuais das periferias. Em vez de tratar esses elementos como referências periféricas ao mercado, a Mancuda os posicionou no centro da narrativa. A passarela se tornou espaço de afirmação, deslocamento e reconhecimento.
“FavelaWear” provocou o público a observar a moda como linguagem social. As peças não apenas vestiam corpos. Elas comunicavam pertencimento, território, atitude e memória urbana. Em uma cidade marcada por contrastes, essa presença no DFB reforça a importância de reconhecer a periferia como espaço produtor de cultura, estética e inovação.
David Lee encerra a noite com referências do sertão
Encerrando a programação de desfiles da primeira noite, David Lee apresentou a coleção “Ofertório”, construída a partir de uma releitura de símbolos, festejos e referências do sertão nordestino. A coleção trouxe bordados, crochês, trabalhos em couro e elementos do cotidiano regional, conectando tradição e contemporaneidade em uma apresentação de forte identidade visual.
A proposta de David Lee reafirmou a capacidade da moda autoral nordestina de transformar referências territoriais em linguagem sofisticada, atual e potente. O sertão apareceu não como cenário distante, mas como fonte viva de criação. A coleção evocou celebrações, fé, trabalho, memória e materialidade.
Ao reunir técnicas tradicionais e uma leitura contemporânea, “Ofertório” dialogou diretamente com o espírito do DFB Festival. A moda apresentada não buscou apenas ornamentar. Ela contou histórias, revisitou símbolos e reposicionou o Nordeste como território de elaboração estética, inovação e força cultural.
Shows gratuitos ampliam experiência na Arena DFB
Além das passarelas, a Arena DFB, instalada na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, recebeu uma programação musical gratuita que atraiu grande público. A noite foi embalada pela potência vocal de Alice Caymmi, pelo espetáculo “Ana Cañas Canta Rita Lee” e pelos sets dos DJs Renata Dib e Nego Celo.
A presença da música ampliou o alcance do festival e fortaleceu o diálogo entre moda, cultura pop, performance e economia criativa. Ao reunir desfiles e shows em um mesmo circuito, o DFB Festival 2026 reforça sua posição como evento multidisciplinar, capaz de mobilizar públicos distintos em torno da criação brasileira.
O espetáculo “Ana Cañas Canta Rita Lee” trouxe à noite uma homenagem à trajetória de uma das artistas mais importantes da música brasileira. Já Alice Caymmi entregou intensidade vocal e presença cênica, conectando a atmosfera da Arena DFB à proposta de uma programação que celebra liberdade criativa, identidade e expressão.
Rua dos Tabajaras recebe passarela a céu aberto no segundo dia
Nesta quarta-feira, 10 de junho, o DFB Festival 2026 promove um dos momentos mais emblemáticos desta edição ao levar parte de sua programação para a Rua dos Tabajaras. A ocupação transforma um dos cenários mais tradicionais da Praia de Iracema em passarela a céu aberto, aproximando criação, patrimônio, cidade e público.
Os desfiles de Ethos e Silvânia de Deus inauguram a ocupação do espaço urbano pela moda autoral. A iniciativa reforça a proposta do festival de extrapolar os ambientes convencionais das passarelas e transformar Fortaleza em território de experiência criativa.
A programação segue com nova edição do Concurso dos Novos, reunindo estudantes da UFPE, Unifor, Unipê e UTFPR. A vitrine dedicada à experimentação criativa mantém viva uma das marcas centrais do DFB, que é a formação e revelação de novos nomes para o mercado da moda.
Ao longo da noite, o público também acompanha os desfiles de George Azevedo, Lire Brand, J. Cabral e Gabriela Fiuza, além do projeto Mãos da Moda, com criações de Adriana Meira, Luci Bortowski e Dua. A agenda musical gratuita terá apresentações do Projeto Voyage, Super Banda, Os Garotin e DJ Davi Fiuza.
Fortaleza como território da moda autoral brasileira
A abertura do DFB Festival 2026 confirmou a força do evento como plataforma de moda, cultura e economia criativa. Em uma edição integrada às comemorações dos 300 anos de Fortaleza, o festival reforça a relação entre criação e cidade, valorizando não apenas as coleções, mas também os espaços urbanos, os saberes locais, os novos talentos e as múltiplas linguagens que constroem a identidade da capital cearense.
Ao ocupar o Centro Dragão do Mar, a Rua dos Tabajaras e outros pontos simbólicos da Praia de Iracema, o DFB propõe uma leitura ampliada da moda. A passarela deixa de ser apenas estrutura de apresentação e passa a ser instrumento de ocupação cultural, circulação econômica e afirmação territorial.
Com desfiles, shows gratuitos, formação, artesanato, design e música, o DFB Festival 2026 consolida Fortaleza como capital da moda autoral brasileira e coloca a cidade no centro de uma discussão fundamental para o setor: como criar, vender, comunicar e preservar identidade em um mercado em constante transformação.
Programação, quarta-feira, 10 de junho
Desfiles
16h30, Ethos, Rua dos Tabajaras
17h, Silvânia de Deus, Rua dos Tabajaras
18h30, Concurso dos Novos, UFPE, Unifor, Unipê e UTFPR, Sala Branca
19h, George Azevedo, Sala Preta
19h30, Mãos da Moda, Adriana Meira, Luci Bortowski e Dua, Sala Branca
20h, Lire Brand, Sala Preta
20h30, J. Cabral, Sala Branca
21h, Gabriela Fiuza, Sala Preta
Programação musical
Projeto Voyage
Super Banda
Os Garotin
DJ Davi Fiuza
Serviço
DFB Festival 2026
Data: 9 a 12 de junho de 2026
Local: Praia de Iracema, Fortaleza, Ceará
Entrada gratuita, sujeita à capacidade dos espaços
Instagram: @dfbfestival
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