Psicólogo aponta que formatos pedagógicos tradicionais e desconectados da realidade dos alunos podem impactar diretamente o desempenho e o engajamento escolar
Procrastinação nos estudos acende alerta e vai além da falta de disciplina
O aumento de comportamentos como procrastinação, dificuldade de concentração e desorganização nos estudos tem preocupado educadores e famílias em todo o país. Embora frequentemente associados à falta de disciplina, esses sinais podem refletir fatores mais complexos, ligados ao contexto social e ao próprio modelo de ensino adotado pelas instituições.
Especialista aponta que procrastinação é sintoma, não causa
De acordo com o psicólogo Paulo Passos, do Colégio 7 de Setembro, a procrastinação deve ser compreendida de forma mais ampla e estratégica. Segundo ele, o comportamento não surge de forma isolada, mas como reflexo de pressões externas e de um sistema que valoriza performance constante.
“Podemos iniciar falando que procrastinação não é uma causa, mas um sintoma diante de uma sociedade que vislumbra a performance da excelência e da ‘felicidade’”, explica.
Esse cenário se agrava quando o ambiente escolar não acompanha as transformações sociais e tecnológicas, mantendo estruturas rígidas e pouco conectadas com a realidade dos estudantes.
Modelo tradicional pode reduzir engajamento e autonomia
Abordagens pedagógicas centradas exclusivamente na transmissão de conteúdo tendem a limitar a participação ativa dos alunos. Esse formato pode dificultar o desenvolvimento da autonomia e impactar diretamente o interesse pelos estudos.
Momentos de transição, como a chegada ao Ensino Médio, costumam intensificar essas dificuldades. Nessa fase, inseguranças sobre desempenho e pressão por resultados tornam o estudante mais vulnerável à procrastinação e à desmotivação.
Metodologias ativas surgem como alternativa mais eficiente
Em contraste, estratégias que colocam o aluno como protagonista do processo de aprendizagem têm mostrado resultados mais consistentes. Práticas como debates, resolução de problemas, projetos interdisciplinares e atividades colaborativas ampliam o envolvimento e tornam o aprendizado mais significativo.
Segundo o especialista, a disputa por atenção com as redes sociais também influencia diretamente esse cenário.
“Precisamos lembrar que o conhecimento formal disputa espaço com uma gama de atrativos visuais e imaginativos das redes sociais. Essa disputa é desleal, visto que a tecnologia avança em alta velocidade, enquanto a educação ainda busca se atualizar. A aprendizagem ativa é fundamental. O aluno deixa de ser espectador”, ressalta.
Alinhamento entre escola e família é decisivo
Além das metodologias adotadas em sala de aula, o suporte familiar desempenha papel essencial na formação de hábitos de estudo mais consistentes. Comunicação frequente, definição clara de expectativas e incentivo à autonomia progressiva ajudam a fortalecer a responsabilidade do estudante sobre o próprio aprendizado.
Esse alinhamento contribui diretamente para reduzir comportamentos como a procrastinação e melhorar o desempenho acadêmico.
Conclusão
O avanço da procrastinação entre estudantes não pode ser analisado de forma superficial. A forma como o ensino é estruturado, somada às pressões sociais e ao ambiente digital, influencia diretamente o comportamento e o rendimento dos alunos. A atualização dos modelos pedagógicos e a construção de uma aprendizagem mais ativa surgem como caminhos estratégicos para reverter esse cenário.
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