Desde 10 de abril de 2026, o Sistema de Entrada e Saída passou a funcionar integralmente nos países do Espaço Schengen, substituindo o carimbo físico por registros digitais com dados biométricos.
Fim do carimbo no passaporte já é realidade para turistas brasileiros que viajam a Portugal e a outros 28 países europeus que integram o novo Sistema de Entrada e Saída, conhecido pela sigla EES, do inglês Entry/Exit System. A mudança passou a valer integralmente em 10 de abril de 2026 e altera a forma como cidadãos de fora da União Europeia são registrados ao entrar e sair do Espaço Schengen.
Na prática, o tradicional carimbo no passaporte deixa de ser o principal comprovante de entrada na Europa. Agora, as informações do viajante passam a ser registradas digitalmente, incluindo data e local de entrada, data e local de saída, imagem facial, impressões digitais e dados do documento de viagem. A regra vale para cidadãos de países terceiros, incluindo brasileiros, em viagens de curta duração.
A medida afeta diretamente quem viaja para turismo, negócios ou visitas de curta permanência em países como Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Holanda, Suíça, Noruega e outros destinos do Espaço Schengen. O sistema começou a ser implantado de forma gradual em outubro de 2025, mas passou a funcionar em todos os pontos de fronteira externa Schengen em 10 de abril de 2026.
O objetivo declarado da União Europeia é modernizar o controle de fronteiras, combater fraudes documentais, identificar pessoas que ultrapassam o período permitido de permanência e reforçar a segurança migratória. Segundo a Comissão Europeia, desde a introdução do sistema, já foram registradas dezenas de milhões de entradas e saídas, além de recusas de entrada e identificação de pessoas consideradas risco à segurança.
Para os brasileiros, a mudança não significa, por si só, exigência automática de visto para viagens curtas ao Espaço Schengen. O ponto central é o registro digital obrigatório na fronteira. O controle passa a ser feito com biometria e dados eletrônicos, o que pode tornar a fiscalização do prazo de permanência muito mais precisa. A regra geral para turistas permanece ligada ao limite de curta estadia, de até 90 dias em um período de 180 dias, conforme o enquadramento aplicado a viajantes não pertencentes à União Europeia ou ao Espaço Schengen.
Na primeira entrada, o turista poderá precisar passar por etapas adicionais, como captura de foto facial, coleta de impressões digitais e conferência dos dados do passaporte. Em viagens futuras, a tendência é que o processo seja mais rápido, já que as informações ficarão armazenadas no sistema por determinado período. A Euronews informa que os dados podem ser mantidos por três anos e que quem se recusar a fornecer a biometria exigida poderá ter a entrada negada.
A mudança também pode gerar filas em aeroportos e postos de fronteira durante o período de adaptação. Entidades ligadas ao setor aéreo europeu já alertaram para esperas maiores em horários de pico, principalmente porque todos os passageiros de países terceiros precisam passar pelo novo processo. A recomendação prática para quem vai viajar nos próximos meses é chegar com antecedência, conferir os documentos exigidos e se preparar para uma checagem migratória mais detalhada.
Outro ponto importante é que o EES não substitui a decisão do agente de fronteira. Mesmo com o registro digital, o viajante ainda pode ser questionado sobre motivo da viagem, hospedagem, passagem de volta, recursos financeiros e seguro viagem, conforme as regras migratórias do destino. Ou seja, o sistema muda a forma de registro, mas não elimina a necessidade de comprovar as condições da viagem.
Portugal aparece no centro da atenção dos brasileiros porque é uma das principais portas de entrada na Europa para quem sai do Brasil. Com voos diretos, idioma comum e forte fluxo turístico e familiar, o país deve sentir impacto direto da adaptação ao novo modelo. Para quem pretende desembarcar em Lisboa, Porto, Faro ou fazer conexão em território português, a orientação é tratar a imigração como uma etapa digitalizada, com checagem biométrica e possível aumento no tempo de espera.
O fim do carimbo no passaporte marca uma virada simbólica na relação dos turistas com a Europa. O registro que antes ficava visível nas páginas do documento passa a existir dentro de uma base digital, controlada pelas autoridades migratórias. Para o viajante brasileiro, a principal mudança é simples de entender: o passaporte continua indispensável, mas o controle da entrada e da saída será eletrônico, biométrico e muito mais rigoroso.
Saiba mais
O novo sistema já está em funcionamento nos países do Espaço Schengen desde 10 de abril de 2026. Quem vai viajar para Portugal ou outros destinos europeus deve conferir a validade do passaporte, separar comprovantes da viagem e chegar ao aeroporto com antecedência para evitar transtornos no controle migratório.
