Estrelado por Rejane Faria, Luciano Pedro Jr. e Ulisses Arthur, filme integra a Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens da 15ª edição do festival, em Curitiba.
Longa alagoano estreia mundialmente em um dos principais festivais do país
O cinema alagoano ganha um novo capítulo de projeção nacional e internacional com a estreia mundial de “Olhe Para Mim”, longa-metragem dirigido por Rafhael Barbosa. A produção integra a Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens da 15ª edição do Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, que ocorre até o dia 13 de junho, ocupando salas e espaços culturais da capital paranaense com uma programação dedicada à diversidade de linguagens, narrativas e olhares do cinema contemporâneo.
Estrelado por Rejane Faria, Luciano Pedro Jr. e pelo estreante Ulisses Arthur, “Olhe Para Mim” chega ao festival como uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. A obra parte de uma história íntima, marcada pela ausência materna, para construir uma jornada simbólica atravessada por mistério, espiritualidade, seres místicos e experiências transcendentes.
No enredo, dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências dessa ausência. Na véspera de uma nova festa, ele conhece Sandra e Ivan, dois viajantes misteriosos que despertam sua fascinação. Ao embarcar com a dupla, Marcelo inicia uma travessia que o coloca diante de uma fronteira perigosa e de um universo onde memória, mito e realidade se confundem.
Filme une fantasia, maternidade, ancestralidade e imaginário popular
“Olhe Para Mim” aposta em uma narrativa que expande o drama pessoal do protagonista para um território simbólico profundamente ligado à cultura popular nordestina. A produção utiliza mitos, lendas e paisagens do baixo São Francisco e do sertão alagoano para construir uma Alagoas mágica, ainda pouco explorada pelo cinema brasileiro.
A partir da ausência da mãe, o filme acompanha a maneira como Marcelo reorganiza suas lembranças e tenta preencher o vazio deixado pelo desaparecimento. Esse processo emocional se transforma em uma experiência visual e narrativa marcada por figuras ancestrais, aparições e deslocamentos físicos e espirituais.
Para Rafhael Barbosa, o filme aborda a dimensão simbólica da maternidade para filhos queer. “Nosso protagonista, Marcelo, nunca descobriu os motivos do desaparecimento de sua mãe quando criança. Ele cresceu preenchendo o vazio com memórias inventadas e projeções mágicas da realidade. No filme, a mãe é representada com muitas faces, entre elas a ’rasga-mortalha’, uma entidade ancestral meio humana, meio pássaro, que busca as almas de seus filhos prometidos”, explica o cineasta, que também assina o roteiro, ao lado de Jasmelino de Paiva e Nivaldo Vasconcelos.
A fala do diretor ajuda a revelar uma das camadas centrais da obra: a maternidade como presença múltipla, memória quebrada, invenção afetiva e entidade espiritual. Em vez de tratar a ausência apenas como perda, “Olhe Para Mim” a transforma em uma força narrativa que move o protagonista por territórios de medo, desejo, pertencimento e descoberta.
Rafhael Barbosa leva ao cinema mitos do baixo São Francisco e do sertão
Além da dimensão íntima da história, “Olhe Para Mim” também se apresenta como uma obra interessada em registrar e reinventar o imaginário de uma região. O filme busca inspiração em histórias de assombração, narrativas orais, crenças populares e figuras míticas associadas à ancestralidade nordestina.
“Busquei construir uma narrativa para materializar o universo dos mitos que ouvia na infância. Histórias de assombração muito particulares do nosso entorno, da ancestralidade da nossa região. O filme persegue esses mitos, percorrendo lugares muito inspiradores, paisagens inexploradas do baixo São Francisco e do sertão, mostrando uma Alagoas mágica que ainda não foi vista pelo cinema brasileiro”, completa Barbosa.
A proposta amplia o alcance do longa ao transformar paisagens alagoanas em elementos dramáticos da narrativa. O território não aparece apenas como cenário, mas como presença ativa na construção da atmosfera do filme. Rio, sertão, cidade ribeirinha, estrada e festa religiosa compõem um percurso onde a geografia se mistura ao imaginário espiritual da obra.
Penedo, Belo Monte, Pão de Açúcar e Maceió aparecem na produção
As locações são um dos principais destaques de “Olhe Para Mim”. Cerca de 70% das filmagens aconteceram em Penedo, cidade ribeirinha de forte importância histórica, cultural e audiovisual. O município integra a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO, na categoria cinema.
A escolha de Penedo reforça a ligação do filme com o Rio São Francisco e com a memória cultural da região. A cidade, conhecida por sua arquitetura, religiosidade, paisagens e relação direta com o rio, oferece ao longa uma base visual poderosa para a construção de seu universo fantástico.
Além de Penedo, a produção rodou cenas importantes em Belo Monte e Pão de Açúcar, no sertão alagoano, além de Maceió. Essa circulação por diferentes territórios do estado amplia a força visual do filme e ajuda a revelar uma Alagoas múltipla, que combina litoral, sertão, rio, cidade, religiosidade e mitologia.
Produção marca avanço histórico para o cinema alagoano
Produzido pela La Ursa Cinematográfica e distribuído pela Olhar Filmes, “Olhe Para Mim” é o primeiro longa de ficção de Rafhael Barbosa. A produção também é apontada como a primeira ficção realizada no estado de Alagoas com edital público a chegar ao circuito, o que representa um marco para a produção audiovisual local.
Nos últimos anos, o cinema alagoano vem ganhando destaque em festivais nacionais e internacionais, especialmente por meio de curtas-metragens reconhecidos em importantes mostras. A chegada de “Olhe Para Mim” à Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens do Olhar de Cinema reforça esse movimento e projeta a produção do estado em uma vitrine relevante do circuito.
A presença do filme em Curitiba também fortalece o debate sobre a descentralização do cinema brasileiro. Ao levar para a tela paisagens, mitos, corpos e narrativas de Alagoas, a obra contribui para ampliar o repertório visual e simbólico do audiovisual nacional.
Elenco reúne nomes reconhecidos e novos talentos
O elenco principal de “Olhe Para Mim” conta com Rejane Faria, atriz conhecida por trabalhos como “Marte Um” e “Yellow Cake”; Luciano Pedro Jr., de “Carro Rei” e “Cangaço Novo”; e o estreante Ulisses Arthur. A presença dos três nomes sustenta a jornada central da narrativa, marcada pelo encontro entre Marcelo, Sandra e Ivan.
O elenco conta ainda com a atriz e performer Aura do Nascimento, de “Salomé”, que interpreta três personagens no filme. Também participam Ivana Iza, de “Serial Kelly”; Ane Oliva, de “O Agente Secreto”; Flávio Rabelo, de “Cavalo”; Eron Villar, de “Fim de Semana no Paraíso Selvagem”; Nilton Resende, de “Deus Ainda é Brasileiro”; Lucas Carvalho, de “Psica” e “Cangaço Novo”; além do estreante mirim Hugo Ramires.
A diversidade do elenco reforça o caráter plural da produção, que reúne artistas com trajetórias no cinema, no teatro, na performance e em produções audiovisuais contemporâneas. Essa combinação é fundamental para uma obra que exige presença física, intensidade dramática e abertura para o universo fantástico.
Desafio técnico envolveu diferentes departamentos da produção
A construção de uma fantasia alegórica em uma produção de baixo orçamento exigiu um trabalho integrado entre diferentes áreas. Direção de arte, fotografia, caracterização, figurino, som, iluminação, efeitos especiais e atuação precisaram atuar em conjunto para dar forma ao universo simbólico do longa.
“O filme representa um enorme desafio para toda a equipe. Construir um universo fantástico implica um trabalho complexo de produção, direção de arte, caracterização, efeitos especiais, som, fotografia, iluminação e atuação. Enfim, todos os departamentos. Encarar essa ousadia numa produção de baixo orçamento só foi possível graças a um desenho de equipe muito certeiro, que aliou o talento de alguns dos mais experientes profissionais do cinema alagoano com nomes que têm ajudado a construir a história do cinema nordestino e brasileiro contemporâneo”, explica o produtor executivo Felipe Guimarães.
A fala do produtor executivo evidencia o esforço coletivo necessário para transformar uma proposta ambiciosa em cinema. Ao reunir profissionais experientes do audiovisual alagoano com nomes importantes do cinema nordestino e brasileiro, “Olhe Para Mim” se coloca como resultado de uma rede criativa fortalecida por colaboração, invenção e persistência.
Financiamento reúne edital público, Lei Paulo Gustavo e Lei do Audiovisual
“Olhe Para Mim” foi contemplado no IV Prêmio de Incentivo à Produção Audiovisual em Alagoas, edital realizado pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, a Secult AL, em parceria com o programa Arranjos Regionais, do Fundo Setorial do Audiovisual, FSA, e da ANCINE.
O projeto também conta com patrocínio da Lei Paulo Gustavo e do Magazine Luiza, por meio da Lei do Audiovisual. A produção recebeu ainda apoio das prefeituras de Penedo, Pão de Açúcar e Belo Monte.
Esse conjunto de apoios demonstra a importância das políticas públicas e dos mecanismos de incentivo para o desenvolvimento do cinema regional. Em uma obra que representa um marco para Alagoas, o financiamento público e o apoio institucional foram decisivos para viabilizar uma produção de grande complexidade artística e técnica.
Rafhael Barbosa consolida trajetória no audiovisual brasileiro
Rafhael Barbosa é roteirista, diretor e produtor alagoano. “Cavalo”, seu primeiro longa-metragem, estreou no circuito comercial em 2021. Com “Olhe Para Mim”, ele realiza sua estreia na direção de longas de ficção, ampliando sua trajetória como criador atento às narrativas, paisagens e contradições de Alagoas.
O realizador também dirige o longa de animação “Utopia”, com previsão de lançamento para 2027. Além da direção, Rafhael atua como diretor de produção e produtor executivo em curtas e longas-metragens.
Entre seus trabalhos de destaque, produziu o curta “Como Ficamos da Mesma Altura”, de Laís Araújo, exibido no International Film Festival Rotterdam, o IFFR, em 2020, e “A Barca”, de Nilton Resende, selecionado para o 42º Festival de Havana. Também é produtor do curta “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, de Luciano Pedro Jr., vencedor do prêmio de melhor curta pelo júri da crítica no Festival de Gramado 2025 e reconhecido como melhor contribuição artística no Festival Internacional de Cartagena das Índias.
Em 2025, Rafhael assinou a produção executiva dos longas “Treme Terra”, de Werner Salles, e “Edifício Lygia”, de Nilton Resende. Ele também produz o longa em desenvolvimento “Filhas do Mangue”, de Stella Carneiro, projeto apresentado em formato de pitching no Festival de Cannes, em maio de 2025, e vencedor do prêmio Horizonte de Melhor Projeto de Longa-Metragem no Brasil CineMundi 2025. Rafhael Barbosa é membro da APAN, Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro, desde 2021.
La Ursa Cinematográfica amplia presença no cinema brasileiro
Criada em 2015 pelos realizadores alagoanos Rafhael Barbosa e Felipe Guimarães, a La Ursa Cinematográfica vem ampliando sua atuação e acompanhando o crescimento do cinema alagoano contemporâneo. A produtora atua na realização de curtas-metragens premiados internacionalmente, festivais, atividades formativas e longas-metragens.
Atualmente, a empresa realiza três longas: a fantasia alegórica “Olhe Para Mim”, que chega ao circuito em 2026; o longa de animação “Utopia”, também dirigido por Rafhael Barbosa; e a ficção “Edifício Lygia”, de Nilton Resende, em pós-produção. A produtora também responde pelo longa em desenvolvimento “Filhas do Mangue”, de Stella Carneiro.
Entre os principais lançamentos da La Ursa está o curta “A Barca”, de Nilton Resende. Inspirada na obra de Lygia Fagundes Telles, a produção participou de mais de 100 festivais em 20 países e recebeu 38 prêmios. Já o curta “O Mapa em que Estão os Meus Pés”, de Luciano Pedro Jr., venceu o prêmio de melhor curta pelo júri da crítica no Festival de Gramado 2025, além de ser reconhecido como melhor contribuição artística no Festival Internacional de Cartagena das Índias.
Em 2021, a La Ursa lançou o documentário “Cavalo”, seu primeiro longa-metragem no circuito de cinemas, em parceria com a Descoloniza Filmes. O filme estreou em 25 salas nas principais capitais brasileiras e integrou a lista de longas pré-selecionados para representar o Brasil no Oscar 2022.
Olhar Filmes assina a distribuição do longa
A distribuição de “Olhe Para Mim” é da Olhar Filmes, empresa criada com o objetivo de buscar pluralidade de experiências, visões de mundo e diversidade. A distribuidora atua com filmes que dialogam com a contemporaneidade, a multiplicidade de realidades e a força de narrativas capazes de sensibilizar e provocar reflexão.
Os filmes distribuídos pela Olhar já passaram por festivais nacionais e internacionais como Festival de Cannes, Sundance Film Festival, San Sebastian, Festival de Berlim, Festival de Rotterdam, BFI London, Dok Leipzig, Frameline, Indie Lisboa, Festival de Gramado, Mostra São Paulo e Festival do Rio, somando centenas de participações e premiações.
Entre os títulos lançados pela distribuidora estão “Meu Corpo é Político”, de Alice Riff; “Nóis por Nóis”, de Aly Muritiba e Jandir Santin; “Os Primeiros Soldados”, de Rodrigo de Oliveira; “Alice Júnior”, de Gil Baroni; “Meu Nome é Daniel” e “Assexybilidade”, de Daniel Gonçalves; “Vento Seco”, de Daniel Nolasco; “A Mesma Parte de Um Homem”, de Ana Johann; “UÝRA, A Retomada da Floresta”, de Juliana Curi; “Rafiki”, da diretora queniana Wanuri Kahiu; e “Praia Formosa”, de Julia De Simone.
“Olhe Para Mim” chega como uma das apostas da competição brasileira
A estreia mundial de “Olhe Para Mim” no Olhar de Cinema coloca o longa em diálogo com uma programação marcada por obras de diferentes regiões, formatos e propostas estéticas. Dentro da Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens, o filme se destaca por unir fantasia, ancestralidade, debate queer, religiosidade popular e paisagens alagoanas em uma narrativa de forte identidade autoral.
Ao mesmo tempo, a obra reafirma a potência do cinema feito fora dos grandes centros tradicionais de produção. Com equipe alagoana, locações no estado e uma história profundamente ligada ao imaginário do baixo São Francisco, “Olhe Para Mim” apresenta ao público uma experiência cinematográfica que busca revelar novas imagens, vozes e mitologias do Brasil.
As sessões de “Olhe Para Mim” no Olhar de Cinema serão divulgadas pelo site oficial do festival.
Ficha técnica
Direção: Rafhael Barbosa
Produção executiva: Felipe Guimarães
Direção de fotografia: Roberto Iuri
Direção de arte: Nina Magalhães
Direção de produção: Vanessa Barbosa
Som direto: Leo Bulhões
Caracterização: Natie Cortez
Figurino: Johnson Alves
Montagem: Rafhael Barbosa, Paulo Silver, Werner Salles
Edição e mixagem de som: Lucas Coelho
Roteiro: Rafhael Barbosa, Nivaldo Vasconcelos, Jasmelino de Paiva
Trilha sonora original: Luiz Martins, Luciano Txu
Preparação de elenco: Flávio Rabelo
1ª assistência de direção: Gabi de Filippo
Elenco principal: Rejane Faria, Luciano Pedro Jr., Ulisses Arthur, Aura do Nascimento, Ivana Iza, Hugo Ramires, Flávio Rabelo, Eron Villar, Lucas Carvalho, Ane Oliva, Leonardo Amorim, Nilton Resende, Samuel Cabral
Sinopse
Dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências de sua ausência. Na véspera de mais uma festa, ele conhece dois misteriosos viajantes, Sandra e seu filho Ivan. Marcelo fica fascinado pela dupla e embarca na viagem, mas no caminho descobre que eles estão prestes a cruzar uma fronteira perigosa.
Serviço
Filme: Olhe Para Mim
Direção: Rafhael Barbosa
Festival: 15º Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba
Mostra: Mostra Competitiva Brasileira de Longas-Metragens
Período do festival: até 13 de junho
Local: Curitiba, Paraná
Sessões: programação a ser divulgada pelo site oficial do festival
Produção: La Ursa Cinematográfica
Distribuição: Olhar Filmes

