Idealizado por Max Petterson, projeto levou convidados ao Museu de Paleontologia, à Fundação Casa Grande, ao ateliê de Espedito Seleiro e à Terreirada Cearense, em uma imersão pela identidade do Cariri
Segundo dia do “Eh do Cariri” reforça potência cultural e histórica da região
O segundo dia de programação do projeto “Eh do Cariri” reuniu convidados, comunicadores e influenciadores em uma jornada de imersão pelo patrimônio cultural, histórico, científico e afetivo do Cariri cearense. Realizada nesta sexta-feira, 29 de maio, a agenda passou por alguns dos espaços mais simbólicos da região, conectando ciência, memória, arte popular, tradição oral, artesanato, educação patrimonial e experiências culturais.
Idealizada pelo artista, ator e criador de conteúdo Max Petterson, a iniciativa tem como objetivo ampliar a visibilidade do Cariri para o Brasil por meio de vivências presenciais, produção audiovisual, entrevistas, registros documentais e conteúdos digitais. A proposta é apresentar a região a partir de seus próprios símbolos, personagens, territórios e manifestações, fortalecendo a circulação de histórias que traduzem a diversidade cultural do interior cearense.
A programação do segundo dia passou pelo Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, pela Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, pelo ateliê do mestre Espedito Seleiro e, à noite, pela Terreirada Cearense. O roteiro evidenciou a força de uma região que combina pesquisa científica, tradição popular, formação social, criatividade artística e preservação de saberes transmitidos entre gerações.
Museu de Paleontologia abriu o roteiro com patrimônio científico da Chapada do Araripe
A programação teve início no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, um dos principais equipamentos científicos e culturais da região. O espaço guarda um acervo fundamental para a compreensão da riqueza fossilífera da Bacia do Araripe, território reconhecido internacionalmente pela relevância de seus registros paleontológicos.
Durante a visita, os participantes conheceram parte da história geológica da Chapada do Araripe e tiveram contato com fósseis que ajudam a contar capítulos importantes da vida pré-histórica no planeta. A experiência apresentou aos convidados a dimensão científica do Cariri, região que ocupa papel de destaque em estudos paleontológicos e na preservação de materiais encontrados em território cearense.
O museu é uma das principais portas de entrada para quem deseja compreender a importância do Cariri no campo da ciência. Além de sua função turística, o equipamento cumpre papel educativo, acadêmico e cultural, aproximando visitantes, estudantes, pesquisadores e a população local de um patrimônio que precisa ser protegido, valorizado e difundido.
Ao incluir o museu no roteiro, o “Eh do Cariri” reforçou que a identidade caririense não se limita às manifestações artísticas e populares. Ela também está profundamente ligada à ciência, à terra, à memória natural e à história de milhões de anos preservada em fósseis encontrados na região.
Fundação Casa Grande evidenciou educação, memória e protagonismo juvenil
Na sequência, os convidados visitaram a Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, instituição reconhecida nacionalmente por seu trabalho voltado à educação, comunicação comunitária, preservação da memória e formação de crianças e jovens. O espaço é uma das referências mais importantes do Cariri quando o assunto é gestão cultural, turismo comunitário e protagonismo infantojuvenil.
A Fundação desenvolve atividades que conectam memória, arte, comunicação, patrimônio e formação social. Ao longo de sua trajetória, tornou-se um ambiente de aprendizado, convivência e criação, onde crianças e adolescentes participam de processos formativos que ampliam repertórios e fortalecem o vínculo com a história da própria região.
Durante a visita, os participantes puderam conhecer a atuação da instituição e compreender como o trabalho realizado em Nova Olinda contribui para preservar narrativas locais, valorizar tradições e formar novas gerações comprometidas com a cultura do Cariri. A experiência também reforçou a importância de iniciativas que unem educação e pertencimento como ferramentas de transformação social.
A presença da Fundação Casa Grande no roteiro mostrou uma das marcas centrais do “Eh do Cariri”: apresentar a região por meio de experiências que não apenas encantam, mas também educam, informam e provocam reflexão sobre a importância do patrimônio cultural como base de desenvolvimento humano e territorial.
Ateliê de Espedito Seleiro aproximou convidados do artesanato que virou símbolo nacional
Encerrando o roteiro da tarde, os convidados conheceram o ateliê de Espedito Seleiro, em Nova Olinda. Considerado um dos grandes nomes do artesanato brasileiro, o mestre cearense transformou o trabalho em couro em uma linguagem artística reconhecida dentro e fora do Nordeste.
Durante a visita, Espedito compartilhou sua trajetória, apresentou detalhes de seu processo criativo e mostrou como técnicas tradicionais podem dialogar com moda, design, cultura popular e memória familiar. O encontro proporcionou uma aproximação direta com saberes preservados ao longo do tempo e transmitidos entre gerações.
O trabalho de Espedito Seleiro representa uma das expressões mais marcantes da identidade cultural do Cariri. Suas peças, conhecidas pelas formas, cores e acabamentos característicos, carregam a força do sertão, a herança dos vaqueiros, o imaginário nordestino e a criatividade de um artista que transformou tradição em reconhecimento nacional.
A visita ao ateliê também reforçou a importância dos mestres da cultura como guardiões de conhecimentos que não se aprendem apenas em livros ou escolas formais. São saberes construídos na prática, no convívio familiar, na observação, na repetição, na sensibilidade manual e no vínculo com o território.
Terreirada Cearense encerrou o dia com celebração da cultura popular
À noite, os convidados conheceram a Terreirada Cearense, ampliando a programação para uma experiência voltada à celebração da cultura popular. O momento reforçou a proposta do projeto de reunir diferentes linguagens e espaços em torno de uma mesma narrativa: o Cariri como território vivo, criativo, ancestral e contemporâneo.
A Terreirada Cearense entrou no roteiro como expressão da força coletiva das manifestações culturais do estado, aproximando os participantes de ritmos, encontros, tradições e vivências que atravessam a memória do povo cearense. A experiência ajudou a consolidar o segundo dia do projeto como uma agenda diversa, marcada por conhecimento, emoção, pertencimento e valorização da cultura local.
Com isso, o “Eh do Cariri” apresentou uma visão ampla da região. O roteiro não se limitou a visitas turísticas, mas criou conexões entre os convidados e os lugares visitados, permitindo que cada experiência revelasse uma camada da história, da criatividade e da identidade caririense.
Projeto aposta em websérie documental e conteúdos digitais para ampliar alcance do Cariri
Além das visitas presenciais, o “Eh do Cariri” contempla a produção de uma websérie documental, entrevistas e conteúdos especiais que serão compartilhados em diferentes canais digitais. A proposta é ampliar o alcance das experiências vividas durante o projeto e levar ao público nacional um retrato sensível, contemporâneo e estratégico do Cariri.
A iniciativa dialoga com uma nova forma de promover territórios culturais. Ao reunir personalidades, criadores de conteúdo, comunicadores e artistas em uma programação imersiva, o projeto transforma a experiência presencial em narrativa digital, aumentando a visibilidade dos espaços visitados e estimulando o interesse do público pela região.
Segundo Max Petterson, idealizador do projeto, o “Eh do Cariri” nasceu do desejo de ampliar o conhecimento sobre a região e fortalecer a circulação de histórias que evidenciam a diversidade cultural, os saberes tradicionais, a criatividade e a relevância histórica do Cariri para o Brasil.
A proposta também reforça o papel dos criadores de conteúdo na difusão de patrimônios culturais. Em vez de apresentar apenas imagens de passagem, o projeto valoriza experiências com contexto, memória e profundidade, criando uma ponte entre o público digital e os territórios que formam a identidade cearense.
Cariri como território de ciência, arte, memória e pertencimento
O segundo dia do “Eh do Cariri” consolidou a força do projeto como uma vitrine da pluralidade caririense. Ao reunir em um mesmo roteiro paleontologia, educação, turismo comunitário, artesanato, cultura popular e produção audiovisual, a iniciativa mostrou que o Cariri é um território múltiplo, capaz de dialogar com públicos diversos e despertar interesse em diferentes áreas.
A região carrega uma combinação rara de elementos que fortalecem sua relevância para o Ceará e para o Brasil. Seus museus, fundações, mestres, manifestações populares e espaços de memória ajudam a construir uma narrativa que une passado, presente e futuro. O Cariri é ciência, mas também é arte. É tradição, mas também é inovação. É memória, mas também é movimento.
Com a programação desta sexta-feira, o “Eh do Cariri” reforçou a importância de olhar para o interior cearense como centro de produção cultural, conhecimento e identidade. A iniciativa de Max Petterson contribui para reposicionar a região no imaginário nacional, apresentando suas histórias a partir de experiências reais e de personagens que mantêm vivo o patrimônio local.
Ao final do dia, a passagem pelo Museu de Paleontologia, pela Fundação Casa Grande, pelo ateliê de Espedito Seleiro e pela Terreirada Cearense revelou um Cariri potente, sensível e profundamente conectado às suas raízes. Um território que não apenas preserva sua história, mas continua criando novas formas de contá-la ao mundo.
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