Em entrevista especial, jornalista compartilha aprendizados da maternidade, fala sobre o filho João, rotina, autocuidado e a força de recomeçar sem perder a própria essência.
No especial de Dia das Mães do projeto Perfil Infoco, a jornalista Helaine Oliveira compartilha uma conversa sensível sobre maternidade, autismo, carreira, família e equilíbrio. Conhecida pela atuação no jornalismo e pela rotina intensa na televisão, ela revela uma versão íntima, humana e profundamente conectada aos desafios da vida real.
Mãe de João, adolescente neurodivergente, Helaine fala sobre os aprendizados que chegaram com a maternidade, especialmente no olhar para as diferenças, para a inclusão e para o respeito ao tempo de cada pessoa. Para ela, incluir não é favor, mas um direito que precisa ser cumprido e compreendido pela sociedade.
A entrevista também percorre momentos importantes da trajetória pessoal da jornalista. Helaine relembra o período em que percebeu que precisava cuidar de si mesma para conseguir cuidar melhor do filho, fala sobre a transformação após a bariátrica e reflete sobre a pressão de equilibrar tantas funções ao mesmo tempo.
Entre trabalho, casa, casamento, maternidade e autocuidado, ela resume sua fase atual com uma palavra: equilíbrio. Não como perfeição, mas como a capacidade de fazer o possível, respeitando os próprios limites e tentando novamente no dia seguinte.
No Perfil Infoco, Helaine surge longe das câmeras e das redes sociais, mostrando a mulher por trás da profissional: curiosa, sensível, firme, divertida e consciente da própria caminhada.
Confira a entrevista completa a seguir,
1. Quem é a Helaine longe das redações e das redes sociais?
A Helaine é uma pessoa tão legal, sabe? É verdadeira, não gosta de injustiça, é curiosa nata. Gosta de ler de tudo, da bula de remédio ao artigo científico. Ela gosta do som do mar, de paz, um cafezinho no final da tarde, ver o sorriso do filho. Gosto de ouvir boas histórias e de poder ser útil às pessoas.
2. Sua rotina começa quando boa parte da cidade ainda está dormindo. Como essa dinâmica impacta sua vida pessoal e emocional?
Na verdade tudo é questão de se adaptar. No começo foi difícil, pois acordo no meio da madrugada para poder entrar na TV e deixar tudo pronto para o telespectador que vai acordar e precisa saber sobre o que acontece na cidade. Coordenar isso precisa ser feito muito cedo: equipes nas ruas, apresentadores, matérias e tudo editado para que o programa esteja atual e cheio de serviço para quem sai de casa. Gosto muito do que faço e me sinto realizada. Tenho tempo pra mim e pros meus. Finalizo meu dia de trabalho na TV às 10h e vou pra academia, cuidar da mente e da saúde.
3. Depois de tantos anos no jornalismo, o que ainda move você diariamente?
O jornalismo em sua essência é poder servir, levar informação, transformar vidas, apresentar um mundo diverso ao público. Isso me move desde antes de entrar na faculdade em 2001 e até hoje. Não é glamour, não é futilidade. Jornalismo é servir e quem não entender isso está fazendo errado.
4. Existe uma versão da Helaine de anos atrás que você sente que ficou pelo caminho?
A Helaine de hoje é completamente diferente da de anos atrás e isso é normal e já esperado. Hoje sou mãe de um adolescente, posso dizer que tenho uma carreira consolidada e sempre foi o que eu queria pra mim. Mas a minha essência permanece e acho que é isso que me dá norte para continuar meu caminho. A Helaine que antes não confiava muito em si, que era insegura, hoje deu espaço a uma Helaine que sabe o que quer e não aceita menos que isso. Sei o que mereço, aprendi a dizer não e a ver o meu valor e isso foi a maior conquista até hoje.
5. Em que momento você percebeu que precisava olhar também para si mesma, além da profissional e da mãe?
Quando foi no começo do diagnóstico do meu filho. Em uma das primeiras consultas eu o levei e ele foi atendido, por ironia do destino, por uma querida amiga que me conheceu antes de ser mãe. Eu estava mal, não sabia por onde começar, tinha me deixado de lado, estava pesando perto dos 100 quilos quando essa amiga me disse “Helaine, eu te conheci antes disso tudo acontecer e quero ver seu brilho nos olhos novamente. Não adianta você querer ajudar seu filho se você não se ajudar. Isso faz parte do processo de ajuda dele”. Foi aí que passei a me cuidar e a ser generosa comigo. O desconhecimento sobre o autismo me fez sentir culpada, então, eu descontava na comida a tristeza e a culpa que, depois de saber sobre o transtorno, vi que não tem nada demais em ser neurodivergente.
6. Você passou por uma transformação importante após a bariátrica. O que mudou além do corpo?
Mudou a minha disciplina e o entendimento de que eu tenho uma doença que não tem cura e que precisa de tratamento constante e pro resto da vida. A obesidade é uma doença sem cura e ter o entendimento disso muda tudo. Existem dias bons, outros ruins, a vida não é linear, mas saber que a gente sempre pode se pegar pela mão e seguir firme faz com que essa doença que muito me maltratou, seja controlada e que eu tenha qualidade de vida.
7. Como você lida com a pressão de manter tantas funções ao mesmo tempo?
Eu juro que gostaria de estar respondendo isso com as contas todas pagas, sem precisar trabalhar, com meu filho sendo acolhido por onde for com inclusão de fato e que eu tivesse uma rede de apoio digna de celebridades. Mas como não “tá tendo”, a gente respira fundo, se hidrata e segue firme kkkkkkk.
8. O que o casamento e a construção da família representam na sua trajetória?
Representam a minha vida! Eu posso dizer que tenho uma posição de privilégio em ter um companheiro que faz jus ao nome, pois ele entende a posição dele de marido, de pai, de companheiro mesmo. A gente divide a casa, a vida, as obrigações e o lazer também. Roberto é meu melhor amigo, meu confidente e a quem confio a minha vida. E fico feliz em ter um marido que se assemelha muito ao meu pai, um homem íntegro, sempre presente no dia a dia dos filhos, trabalhador e que sabe que a vida a dois é de parceria. O João é meu tudo. Não me imagino viver sem ele e o amo do jeito que ele é. Sinto um orgulho imenso de tê-lo como filho. Um rapaz companheiro, carinhoso, empático, que tem valores muito intensos e fortes que me enchem de felicidade e orgulho.
9. Existe alguma parte da sua rotina que quase ninguém vê, mas define quem você realmente é?
Eu sou uma menina, sabe? Gosto de jogar vídeo game, de ver desenho animado, de rir de memes bobos, de me divertir com meu filho. A vida adulta consome a gente e vez em quando trazer de volta a minha criança interior é necessário para não pirar.
10. Como a maternidade transformou sua percepção sobre tempo, presença e prioridades?
Tudo tem que ser feito de forma orquestrada, antecipada, explicada. Ainda mais pro João que precisa da previsibilidade. Já me acostumei com isso e também me ajuda muito. Trabalho, cuido da saúde, limpo a casa, faço comida, passeio com a Nina, cachorrinha… a gente equilibra pratos e nem sempre estão todos alinhados. E é isso que a vida adulta é, ainda mais a maternidade.
11. O João trouxe novos olhares para sua vida. Quais aprendizados chegaram com ele de forma profunda?
Respeito às diferenças, entender que cada pessoa tem seu tempo de aprendizado e entendimento de mundo. O profundo é que todos possuem direitos que devem ser respeitados e que inclusão não é favor algum. E ao final, todos saem ganhando com ela.
12. O que você gostaria que as pessoas compreendessem com sensibilidade sobre o universo do autismo?
Que existem direitos que foram criados para serem cumpridos, quer queiram ou não. Incluir não é favor, é direito garantido em lei. Se a sociedade entender que, ao incluir a pessoa neurodiversa todos ganham, ela faria isso com muito mais facilidade.
13. Em algum momento você sentiu que precisava ser forte o tempo inteiro?
Quando adoeci foi quando eu achava que deveria ser forte. Hoje eu entendo que guerreira é a Xena, eu sou uma mulher que também trabalha fora, em casa e que é mãe, sobretudo mãe de uma pessoa neurodiversa. E que tá tudo bem não conseguir equilibrar todos os pratos a todo momento. Se um cair e quebrar, a gente continua.
14. O que hoje significa equilíbrio para você?
Equilíbrio é conseguir fazer hoje o que eu puder fazer, com respeito a mim mesma e sem me culpar. Amanhã a gente tenta novamente
15. Quando você olha para tudo que construiu até aqui, do que sente orgulho?
Sinto orgulho da menina que eu fui, daquela criança que tinha medo de tudo, que vivia apreensiva, com medo de errar, de desapontar alguém. Hoje ela se libertou de tal forma que se fortalece nas suas fraquezas e se perdoa, sabendo que não precisa ser perfeita nem personagem de comercial de margarina.
Uma frase que represente sua visão sobre a vida atualmente
Equilíbrio é conseguir fazer hoje o que eu puder fazer, com respeito a mim mesma e sem me culpar. Amanhã a gente tenta novamente.
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